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Manuela Veloso, Carnegie Mellon University – “O grande desafio é incorporar métodos de Inteligência Artificial, de eficiência dos computadores, de engenharia eletrotécnica e métodos bastante avançados de processamento de dados”

Manuela Veloso é head of the machine learning department da Carnegie Mellon University, EUA e cofundadora da RoboCup. E é uma das oradoras do Business Transformation Summit.

Quais são as alterações mais significativas que os avanços da tecnologia estão a provocar no mercado de trabalho?
A quantidade de informação digital, que existe em todos os negócios e em todas as áreas. Esta quantidade gigantesca de dados leva a que as empresas tenham de desenvolver algoritmos para conseguir interpretar os dados. Isso sim, é a grande modificação. Os dados vêm de todos os lados e de todas as formas, são numéricos, são texto, são imagens, são vídeos… Acabamos por ter informações digitalizadas de diferente conteúdo. O grande desafio é incorporar métodos de Inteligência Artificial, de eficiência dos computadores, de engenharia eletrotécnica e métodos bastante avançados de processamento de dados, de maneira a que toda esta informação possa ser uma ajuda na tomada de decisão que é
necessária em muitas áreas.

Os gestores já estão cientes destas alterações? De que forma é que as empresas se podem preparar para acompanhar estas evoluções?
Os gestores já compreendem isto, mas tem de haver uma mudança muito mais radical, não só em Portugal, mas no mundo inteiro, em perceber toda esta informação digital. Esta informação pode ser usada de uma forma mais inteligente, pois existem algoritmos de toda a espécie, de aprendizagem máxima, de mobilização, para fazer previsões, para utilizar a informação para determinar alternativas… Eu acho que as pessoas devem ter uma interação mais direta com a tecnologia para poder perceber quais são os impactos que a tecnologia poderá trazer para as suas empresas. Cada vez mais temos a necessidade de olharmos para os problemas das empresas, muito suportada pelos dados e pela analise que pode ser feita, de forma a otimizar o funcionamento da empresa.

Em que funções considera que o Homem pode vir a ser substituído pela máquina?
Este é o problema das novas tecnologias. Desde o tempo das operadoras de telefone que tinham os switches bords e que mudavam os telefones manualmente, até às nossas máquinas de lavar roupa, pois já ninguém lava a roupa à mão, é inevitável que a tecnologia faz sempre um abalo no trabalho das pessoas. No entanto, eu tenho uma perspetiva muito otimista em relação a isto, porque acho que se os trabalhos de tomada de decisão forem complementados por Inteligência Artificial, há muitos outros trabalhos que surgem, porque é preciso pessoas para desenvolver, manter e para atualizar esses dados, pois os algoritmos não caem do céu. Esta revolução tecnológica vai levar a uma transformação no mercado de trabalho, mas garantidamente a humanidade não vai ficar sem fazer nada. As pessoas terão de se adaptar as estas novas tecnologias, a aprendizagem e a educação será fundamental e outras skills e capacidades vão ser precisas nesta época de transição. É um passo que não se pode voltar atrás. E estamos muito longe de ter tudo automatizado, mas no fundo estamos a criar uma estrutura que nos vai permitir uma otimização de todos os processos. Podemos melhorar toda a sociedade.

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Vanessa Henriques

Vanessa Henriques

Diretora Executiva da RHmagazine

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