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A Revolução das Competências: porque é que as pessoas são mais valiosas do que nunca

 

 

Por: Carla Marques, Country Manager da ManpowerGroup

 

 

Nos dias que correm, é raro passarmos um dia sem nos depararmos com notícias acerca do impacto da digitalização, da inteligência artificial ou da realidade virtual no mundo do trabalho. As previsões equacionam múltiplos cenários: mais emprego, menos emprego e, até mesmo, o fim do emprego tal como o conhecemos. Globalmente, são previsões bastante pessimistas e em muitos casos andarão longe da verdade. No entanto, é inegável a transformação que os avanços tecnológicos têm vindo a possibilitar no seio das empresas.

Esta nova realidade obriga a uma adaptação constante das competências – necessárias e disponíveis –, o que diminui a capacidade das empresas para encontrarem o Talento certo para determinadas posições. Assistimos a uma Revolução das Competências e as marcas têm um papel fundamental em garantir que, por um lado, conseguem atrair o Talento que necessitam e, por outro, que as pessoas dispõem das ferramentas necessárias para aperfeiçoarem as suas capacidades e para dotá-las de novas competências, técnicas ou comportamentais, com as quais vão conseguir adaptar-se a um mundo de trabalho cada vez mais exigente.

O processo de digitalização e a automação está, contudo, a acontecer a diferentes velocidades, especialmente em regiões e setores que são, independentemente dos motivos, mais resistentes à mudança. No passado, transformações de fundo levaram décadas, em alguns casos até séculos antes de estarem profundamente enraizadas na sociedade. Hoje, com a revolução tecnológica, as mudanças acontecem a uma velocidade nunca antes vista, com resultados ainda indeterminados e inconclusivos e que levantam constantemente novas questões.

Por isso mesmo, as organizações precisam de tomar medidas imediatas e acelerar o processo de aprimoramento e requalificação das pessoas, para garantir que elas possuem as capacidades exigidas para prosperar no futuro. Ainda que não seja possível desacelerar a velocidade dos avanços tecnológicos, muito pode ser feito ao nível das competências por forma a aumentar a motivação das pessoas e a retenção de Talento nas empresas. O caminho certo passará por utilizar o potencial humano como eixo de sustentação para alavancar a tecnologia não só nas nossas vidas, mas também no mundo dos negócios. Com a combinação certa de capacidades, os colaboradores vão beneficiar, ao invés de competir com a tecnologia.

No recente estudo da ManpowerGroup, Skills Revolution 2.0, falámos com mais de 18 mil empregadores em 43 países, para entender as suas perceções sobre como a automação poderá vir a afetar o número de trabalhadores nas suas empresas. Através deste estudo, procurámos identificar quais as funções que potencialmente serão mais afetadas, bem como as estratégias que as empresas estão a adotar para garantir que os colaboradores adquirem as competências necessárias para enfrentar os desafios futuros na Era da Tecnologia. Dos entrevistados, 90% antecipam que a sua organização vai ser impactada pela digitalização nos próximos dois anos. Ao mesmo tempo, 83% disseram que esperam manter ou até aumentar o número de colaboradores, o que diz muito sobre a integração das tecnologias no dia a dia das empresas.

Descobrimos que a Revolução das Competências requer novas mentalidades, devendo ser acompanhada a dois níveis: pelas empresas que querem desenvolver uma força de trabalho que requer novas competências e pelas pessoas que ambicionam progredir nas suas carreiras profissionais.

Está cada vez mais provado que no mundo digital, o sucesso nem sempre requer um diploma universitário. Em vez disso, dependerá de um apetite por desenvolver continuamente as competências e adaptá-las consoante os desafios profissionais. Para prosperar, melhorando a atração e retenção de Talento, as empresas têm de identificar futuros requisitos em termos de competências, disponibilizar as ferramentas necessárias para ajudar as pessoas a melhorarem o seu nível de qualificação e fornecer acesso ao emprego. Mais do que nunca, esta é a altura certa para os líderes assumirem os desafios e potenciarem o desenvolvimento sustentado e continuado dos colaboradores para que, em conjunto, consigam responder efetivamente às alterações constantes que lhes são apresentadas.

Sem dúvida no futuro do trabalho, as empresas vão precisar de colaboradores com competências diferentes das tradicionais. As previsões do mercado de trabalho podem até anunciar o fim de algumas profissões por força dos avanços tecnológicos: robôs que vão substituir por inteiro a mão humana e até mesmo a ameaça de um mundo sem trabalho. A verdade é que, pelos indícios que recolhemos e que observamos, esta visão dramática dos factos não podia estar mais longe da verdade. Os humanos vão continuar a ser absolutamente indispensáveis no futuro, o que mudará são as competências de que necessitam para vingar no mundo do trabalho.

 

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