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Apenas 20% dos Conselhos de Administração dedicam tempo à cultura da empresa

Apenas 20% dos Conselhos de Administração dedicam tempo à cultura da empresa

Apesar da cultura empresarial ser apontada como uma das três principais prioridades para os Conselhos de Administração, apenas 20% dizem reservar o tempo necessário para discutir o tema e melhorar a cultura da empresa. A conclusão faz parte de um inquérito europeu conduzido pela consultora internacional Mazars, em parceria com o Board Agenda e o INSEAD.

O inquérito, respondido por mais de 450 diretores e administradores em toda a Europa, destaca a disparidade entre pensamento e ação em relação à cultura da empresa. Cerca de dois terços (62%) sentem-se responsáveis por incutirem a cultura da empresa a partir do topo da organização, mas a mesma proporção de gestores (63%) não inclui a cultura na sua avaliação formal de riscos ou não considera o risco associado à cultura corporativa.

Ao mesmo tempo, apenas um quarto dos Conselhos de Administração realiza auditorias internas ou externas à sua cultura. Os outros 75% dependem de fontes, como o feedback dos funcionários, inquéritos a clientes e situações de risco, como quebra de regras, problemas de RH e monitorização de conformidades. É dada uma atenção reduzida a fontes externas de informação, como redes sociais ou artigos de imprensa.

Anthony Carey, responsável pelas práticas do Conselho de Administração da Mazars no Reino Unido, considera que: “É positivo que a importância da cultura empresarial seja agora amplamente reconhecida pelos Conselhos de Administração, mas o inquérito também demonstra que a tradução desse entendimento em ações focadas continua a ser um trabalho em desenvolvimento. Os Conselhos de Administração necessitam de informações credíveis sobre a cultura real da empresa e necessitam de ser claros sobre como fechar as lacunas entre a cultura real e a cultura desejada. Alcançar a mudança cultural não é fácil, mas ter uma cultura saudável é essencial para alcançar um sucesso sustentável”.

Trevor Pryer, Diretor Executivo do Board Agenda, concorda: “Mesmo que os Conselhos de Administração estejam a pensar mais sobre a cultura corporativa, parece haver uma discrepância entre o que os diretores pensam e o que acontece na prática. É uma lacuna que necessita de ser ultrapassada se os líderes querem manter ou restaurar a confiança pública nos seus negócios “. Erik van de Loo, Professor de Comportamento Organizacional, no INSEAD, acrescenta: “Os Conselhos de Administração reconhecem a importância vital da cultura para o sucesso de uma empresa a longo prazo. Mas ainda não perceberam como lidar com este tema ao nível da administração. O primeiro passo é abordar a cultura do próprio Conselho de Administração”.

David Herbinet, Responsável Global de Auditoria da Mazars, conclui: “Muitos anos após a famosa frase de Peter Drucker, tudo indica que mais Conselhos de Administração estão chegar à conclusão de que a Cultura pode, de facto, comer a Estratégia ao pequeno almoço. No entanto, muito deste trabalho continua por fazer ao nível da administração de forma a abarcar totalmente esta lição e usá-la efetivamente na tomada de decisões, permitindo aos investidores uma correta avaliação, em benefício de logo prazo das empresas, dos seus stakeholders e da sociedade em geral”.

 

Sobre a Mazars

A Mazars é um grupo internacional de Auditoria e Revisão de Contas, Contabilidade, Assessoria Fiscal, Consultoria e Advisory Services. Está presente em 79 países e integra mais de 18.000 profissionais em todo o mundo. Em Portugal, conta com 130 colaboradores e escritórios em Lisboa, Porto e Leiria.

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