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ARTIGO: Emprego e automação. O papel dos DRH na Indústria 4.0.


POR: Diogo Pereira – Head Key Services – KCS iT


O avanço tecnológico está a conduzir-nos a um contexto onde se prevê uma melhoria de eficiência e de produtividade nas empresas. Nem só cenários positivos podem advir deste processo chamado Industria 4.0. Os menos otimistas preconizam a supressão em massa de postos de trabalho.

Certo parece ser que tecnologias como Deep Learning, Inteligência Artificial ou Machine Learning vieram para ficar e vão gerar impacto nas nossas vidas. O possível desequilíbrio do mercado de trabalho, causado pela automação de funções, é um problema cuja solução deve ir mais além do mero empenho de cada indivíduo. O envolvimento dos Diretores de Recursos Humanos (DRH) na antevisão e preparação de um futuro mais risonho para os colaboradores e empresas assume-se como relevante.

Robôs podem substituir 800 milhões postos de trabalho até 2030.

Um relatório da McKinsey Global Institute prevê a extinção de 800 milhões de postos de trabalho até 2030, sendo estas funções assumidas por máquinas. No World Congress Forum 2018 de Davos, Suíça, o tema da automação esteve em análise.

O fundador da Alibaba, Jack Ma, foi autor de uma das respostas mais difundidas nas plataformas digitais. É de opinião que as máquinas vão ser mais eficientes em funções que impliquem o processamento de saber acumulado. Defende que competir com as mesmas será uma batalha perdida. Esta conjuntura começou a desenhar-se há duas décadas, num desafio que parecia ser apenas um “fait diver”. Em 1997, o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov perdia um confronto para o computador Deep Blue da IBM. Este estava já capacitado para avaliar 250 milhões de jogadas por segundo. A tecnologia de Inteligência Artificial foi evoluindo desde então. O empreendedor chinês mais conhecido do planeta é da opinião que a solução está no ensino.

Desenvolver a criatividade nas novas gerações. Requalificar as restantes.

Colocando de parte o cenário de competirmos com as máquinas, Jack Ma considera que a aposta deverá ser feita na formação das novas gerações, desenvolvendo a criatividade e “soft skills”. Música, desporto, artes, valores, crenças, pensamento crítico e trabalho em equipa são os conteúdos mais importantes a ensinar, na sua opinião.

Uma desejada alteração nos cânones da formação deverá ter efeitos a médio prazo, mas há um trabalho que deve ser já feito: o de requalificar pessoas de profissões em risco de automação. Se a automação ameaça diversas funções, é tempo de preparar os humanos em tecnologias de informação com formações que estimulem a criatividade, a análise e a estratégia. Estas são características que nos diferenciam face às máquinas. A aposta nestas competências faz com que o colaborador se consiga posicionar a jusante do processo que será assumido pelas máquinas. As formações devem ser presenciais, práticas, dadas por profissionais que já trabalham no ciclo de desenvolvimento tecnológico. É o que já estamos a fazer desde 2016 nas Akademias da KCS iT.

O papel importante dos DRH.

Os cenários apocalípticos da extinção de postos de trabalho ocorrem a cada salto tecnológico. Primeiro foi o receio da chegada de maquinaria à agricultura poder provocar desacertos sociais irreparáveis. Na década de 50 do século passado, o medo provinha da robotização das fábricas do setor secundário e na década de 90 passou a ser a digitalização dos serviços a pôr em cheque, dizia-se, a função humana. De todas estas etapas a economia emergiu mais forte, com novas necessidades e respostas.

Estamos perante uma era de charneira, na qual os DRH têm a oportunidade de gerir a mudança em consonância com os objetivos dos CEO e os objetivos das empresas. No presente estado da tecnologia, as atividades com mais dificuldade de automatizar envolvem decisão, planeamento, criatividade, estabelecimento de objetivos ou mesmo o uso de senso comum. Características humanas. O rumo é estimular estas aptidões dos seus atuais e futuros quadros e assim aumentar o seu sentido de pertença à empresa.

Os DRH e as empresas têm um papel a desempenhar na revolução do mercado de trabalho 4.0. Estarão cientes da sua importância?

 

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