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ARTIGO: Líderes do futuro – Que medidas os CEOs devem tomar para ajudar as suas equipas na transformação digital das suas organizações

Por: Diogo Alarcão, Diretor Geral da Mercer Portugal

O mercado está a mudar de forma muito rápida e a transformação dos modelos de negócio atuais está no topo da agenda dos executivos e líderes das empresas.

Existe uma consciência clara de que resistir à revolução tecnológica que estamos a viver hoje é uma barreira para o crescimento dos negócios. Os líderes reconhecem que as estruturas e modelos devem ser cada vez mais ágeis para fazer frente às necessidades de mudança e à competitividade do mercado.

É um facto, os processos de transformação estão na agenda dos líderes mundiais. No último estudo da Mercer Talent Trends, 93% dos executivos dizem estar a planear um processo de transformação nas suas empresas nos próximos dois anos.

O Mundo está em mudança. Não é por acaso que a expressão “Mundo VUCA” (Volatile, Uncertaint, Complex and Ambiguous) está cada vez mais presente em conferências e em muitos planos estratégicos das empresas. Não há como fugir, a evolução/revolução tecnológica que estamos a experienciar com a robotização, a automação, a inteligência artificial e a digitalização é uma realidade. Por outro lado, existe também uma revolução na força de trabalho, com diferentes gerações a co-existirem nas empresas, com perfis e expetativas muito diferentes, ambientes multiculturais como consequência da globalização, uma população envelhecida motivada pelo aumento da longevidade e menor natalidade, uma rede digital que liga as pessoas …. Esta nova realidade implica novas formas de trabalho que os líderes têm de compreender e adaptar para garantir que mantêm a sustentabilidade dos seus negócios.

Mas que medidas devem os líderes implementar nas suas organizações?

Não há uma resposta única a esta questão e cada organização necessitará de uma estratégia adaptada à sua própria realidade. No entanto, de acordo com o estudo da Mercer Talent Trends, identificamos 4 medidas prioritárias:

1) Aposta nos Shared Services Centres

Não será de todo uma resposta para organizações de dimensão mais pequena, mas é uma tendência para as multinacionais, que esperam ganhar mais eficiência e otimizar os custos através da criação de equipas em centros de excelência que consigam prestar serviços para diversas localizações. Aliás, Portugal está a assistir a um aumento significativo de projectos de Investimento Directo Estrangeiro nesta área.

2) Tornar as estruturas mais horizontais

Passar de modelos mais hierárquicos para modelos muito mais horizontais e ágeis. Pretende-se aumentar a capacidade de resposta com maior agilidade e, para isso, será necessário alterar frameworks pesados e muito hierárquicos que bloqueiam os processos de decisão e operacionalização rápidos e eficientes que são críticos no Mundo atual. Numa época, em que muitos líderes vêem os seus negócios a serem ultrapassados por novas aplicações ou tecnologias, a resposta para que consigam competir tem de passar por adaptar e flexibilizar as suas estruturas organizativas.

3) Descentralizar a liderança

Hoje já assistimos a empresas com modelos holocráticos em que não existem chefias e o processo de tomada de decisão é mais orgânico. Ainda serão poucas as organizações que conseguem adoptar este tipo de modelos, mas existe uma tendência crescente para dar mais autonomia e poder de decisão às pessoas. É crucial que isto aconteça para tornar processos de transformação mais fluídos e eficazes.

4) Eliminar algumas funções e criar novas

Hoje em dia, assiste-se a um processo de aceleração ímpar o que leva a que o que fazemos hoje possa ficar obsoleto num curto espaço de tempo. Isto cria, claro está, uma enorme apreensão e pressão sobre os CEO. A agravar esta situação está o facto de existirem vários estudos que apontam para que mais de 50% das funções e profissões de hoje não existiram em 2025. O que os líderes têm de fazer é garantir que as suas organizações estarão preparadas e, para isso, têm de conhecer antecipadamente as competências que precisarão no futuro e desenvolver planos de acção que lhes permitam, por um lado, identificar onde estão a ser geradas e, por outro, desenvolver as estratégias adequadas para atrair e reter essas mesmas competências.

As soluções dependerão de organização para organização, mas será inevitável a mudança. Todos os dias surgem novos produtos, novos serviços e a tecnologia evolui como nunca antes assistimos. Pensar em ter um carro que nos conduz para um destino qualquer, ter um robot que nos serve como um assistente pessoal, ir a um hospital e ser atendido por uma aplicação digital, ter uma plataforma inteligente que funciona como assistente de recursos humanos na empresa… será isto o futuro? Não, isto é já o presente! São soluções que já existem e que irão ter um impacto enorme nas pessoas, nas empresas e no mercado em geral. A resposta teremos de ser nós a encontrar. Os líderes têm um papel chave neste processo, pois terão de ser visionários e planear um futuro que já é hoje presente.

Uma das respostas passará por criar uma força de trabalho dinâmica em que empresa, equipas e pessoas funcionem como um todo e estejam alinhadas. É muito importante que se assuma que o elemento chave neste processo são as pessoas e só com elas os negócios são possíveis. Os líderes que não conseguirem inspirar as suas pessoas terão sérias dificuldades em ser competitivos no mundo a que chamamos VUCA. Transparência, inspiração, estratégia são conceitos que exigimos hoje aos nossos líderes. É crucial conhecer as expetativas das pessoas para que se consiga planear e gerir face às mesmas. As empresas não podem querer seguir caminhos que as pessoas não entendam ou implementar estratégias desligadas das expetativas das pessoas. Se o fizerem, estão muito provavelmente condenadas ao fracasso.

A transformação é necessária e, independentemente da estratégia a seguir, os líderes devem ter a noção de que um outro elemento chave no processo é a comunicação. Comunicar, comunicar e comunicar. Dificilmente um processo de transformação terá sucesso sem um cuidado plano de comunicação.

Depois é só preparar o futuro, hoje ou como dizemos na Mercer – Make tomorrow today.

 

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Vanessa Henriques

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