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Fazer com que as Pessoas contem

Por: Mafalda Ribeiro – Autora e Oradora Motivacional 

O mundo gira à mesma velocidade todos os dias. Nós é que teimamos em girar nele, cada vez mais, à velocidade da luz. Só que isso, infelizmente, vai-nos apagando a pouco e pouco, tornando-nos reféns do “o quê”, do “quando”, do “onde”, do “como” e do “porquê”. Nos caminhos muitas vezes incertos, voláteis, ambíguos e complexos que temos de percorrer dentro das organizações, deixamos para segundo plano o “quem”.

Eu que giro na vida sobre rodas, há mais de três décadas, assumo que tive de me desacelerar, perante várias situações, para tornar todo o meu percurso existencial mais nítido. Estar sentada, ajuda muito nesse processo, é um facto. Mas não fiz da cadeira de rodas nem um escudo nem uma bandeira. Antes dela, existe a pessoa com uma impressão digital única que, independentemente daquilo que pode ou não fazer, tem o dever (que isto de viver uma vida plena não se trata apenas de direitos…) de fazer cumprir o propósito de Quem a criou. No meu caso, acredito que não sou apenas um número que contribui para a estatística das pessoas com deficiência. Sou uma pessoa que quer fazer com que cada dia conte. Por isso decidi contar a minha história às pessoas.

Acredito que as empresas em Portugal quando falam de gestão de pessoas, como uma preocupação, precisam de começar por colocar a palavra “Humanos” antes da palavra “Recursos”. É importante que elas se “pré” ocupem verdadeiramente das suas pessoas antes de as quererem transformar num instrumento que potenciará resultados. Sim, os Recursos são Humanos, pois são os humanos que são detentores dos recursos, dons, capacidades e talentos que vão dar origem à ação. Mas a meu ver é necessário que quem lidera nunca se esqueça de priorizar a Pessoa ao invés da tarefa. Será que conhecemos quem faz parte da nossa equipa?

É porque as pessoas existem que as tarefas são executadas, com maior ou menor entusiasmo, e isso traz consequências. O contrário? É batota! As tarefas não fazem as pessoas nem tão pouco as pessoas devem sentir-se uma extensão delas, no seio da organização. No meu percurso de motivação consciente (aquando das minhas palestras em empresas) e inconsciente de pessoas (aquando da minha maneira de estar na vida), fui-me apercebendo que é tudo uma questão de Identidade, Gratidão e Confiança.

Motivar pessoas tem pouco de corajoso. Atrevo-me a dizer que para mim até tem o seu quê de egoísmo porque sempre que partilho a minha história, que a uso como Recurso, estou a auto-motivar-me primeiro e a relembrar-me do quão Humana sou e de como isso é uma dádiva. Para continuar a fazê-lo tenho de ter sempre presente que não sou um acidente remediado, nem um fardo pesado de carregar e nem sequer uma obrigação para quem me empurra. Os meus dias não são o cenário ideal para o coitadismo e a vitimização. E o meu futuro não se augura mais difícil justificado pelo meu inicio de vida com o selo da sentença de morte. Identidade, Gratidão e Confiança não podem ser emoções mas têm de fazer parte do sistema de crenças de todos nós.

Não podemos gerir pessoas sem as conhecermos, sem nos darmos a conhecer e sem lhes mostrarmos a importância que há em que elas se conheçam a si mesmas, antes de quererem fazer para ser. Não podemos gerir pessoas sem lhes demonstrarmos gratidão, antes de lhes pedirmos que se superem. Não podemos gerir pessoas sem confiarmos nelas, antes que elas esgotem o seu potencial e se esgotem.

O que é que acontece quando um “Recurso Humano” está motivado por quem o gere? Contágio  que é gerador de ação de uma equipa inteira. Valorizar pessoas não é contá-las. É fazer com que elas contem para a organização. Valorizar pessoas é levar a que elas se sintam inspiradas a um dia contar a sua história como parte da empresa e vice-versa. É fazer com que se sintam em casa, por partilharem a visão, a missão e os valores do grupo e por acreditarem nos projetos que desenvolvem.

As camisolas até podem ter números, mas o “vestir a camisola” – que todas as organizações ambicionam que os seus colaboradores façam – é como que adicionar ao Quem, que cada um de nós já é, mais um nome. Um nome que identifica uma embalagem e um conteúdo. É esse conteúdo que é preciso preservar!

Para mais informações sobre a Palestra de Mafalda Ribeiro – sorrir sobre rodas: www.facebook.com/sorrisosobrerodas

Artigo in RHmagazine, n.º 113, novembro/dezembro 2017

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