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Bernardo Maciel, responsável pela iniciativa Heróis PME: “O que se exige aos Heróis Empresários é que tenham a cabeça no céu e os pés na terra”

A iniciativa Heróis PME apoia pequenas e médias empresas portuguesas que tenham superado desafios empresariais exigentes e dado o “salto”, mesmo durante o período da crise, para patamares elevados. Este prémio pretende distinguir projetos de paixão, visão de futuro e preocupação com impacto na comunidade e motivar outros empresários portugueses a avançarem com os seus sonhos, como referiu, ao InfoRH, Bernardo Maciel, responsável pelo projeto.
Como é que surgiu a iniciativa Heróis PME?

Esta iniciativa surgiu com base na nossa própria história e atividade. Na Yunit Consulting, consultora na área de gestão e do investimento, temos trabalhado ao longo dos anos com centenas de PME, conhecemos de perto as suas histórias e sabemos a importância que representam para a economia e o seu elevado impacto local. Estas empresas e empresários triunfam, muitas vezes, em contextos adversos, à custa da coragem, da ousadia, da paixão e do espírito de sacrifício dos seus líderes e das equipas que constroem à sua volta. Apesar destes percursos são organizações que têm um défice de reconhecimento e visibilidade e não lhes é dada a relevância pública que faça justiça ao impacto que o seu “heroísmo” e percurso merecem.

Que missão assume?

A grande missão dos Heróis PME é prestigiar e dar visibilidade aos empresários e colaboradores destas empresas que são geridas com um profundo envolvimento pessoal. Queremos também com esta iniciativa fazer com que estes empresários e percursos sirvam de exemplo a todos os outros empresários e empreendedores que diariamente lidam com os mesmos desafios. O dia-a-dia do empresário passa por tomar constantes decisões, algumas delas de risco e que dependem de si próprio. O exemplo de outros empresários é crítico para, na dúvida, ousarem dar o salto.

Que instituições estão por detrás do projeto Heróis PME e que papel assumem?

Quando criámos na Yunit Consulting este projeto, quisemos ter como parceiros empresas que partilhassem da mesma visão e que se identificassem com este tipo de iniciativa. Alguns com percursos de vida inspiradores, fiéis a princípios éticos e com um percurso empresarial notável, como é o caso da Delta Cafés, e do Comendador Rui Nabeiro, e outros que reconhecem que estas empresas e empresários devem ser destacados e serem referência pelo que lutaram para chegar onde estão, como é o caso da SIC Notícias, da VICTORIA Seguros e da Católica Business School, unindo-se desta maneira para trazer visibilidade a empresas subvalorizadas.

Há requisitos a cumprir para submeter uma candidatura?

Definimos um conjunto de requisitos para que os candidatos a Heróis tenham, para além da sua história, indicadores que de certa forma também as valorizem. Desde logo o estatuto de PME (de acordo com a definição do IAPMEI), resultados líquidos positivos, não terem dívidas à Segurança Social e às Finanças, entre outros. Todos os regulamentos estão no site, onde é submetida a candidatura e onde se passa toda a dinâmica da iniciativa.

A primeira fase de seleção é da responsabilidade do público, que escolhe dez histórias. Que procedimento é adotado posteriormente até à eleição dos vencedores?

Após o apuramento das dez histórias mais votadas, o júri constituído pelo conjunto de parceiros que apoiam o projeto irá decidir quais são as cinco vencedoras finais. Para suporte à decisão final, estas dez empresas finalistas são convidadas para darem mais informação seja sobre a sua história, seja sobre o negócio, reforçando com novos elementos e detalhes que possam ser relevantes à decisão.

Como é que avaliam o impacto que a empresa teve na comunidade local, a coragem e visão empresariais e a sua criatividade?

Ao longo de toda a fase de candidaturas e votação notamos a dinâmica que cada empresa coloca na divulgação da sua história. Na verdade percebemos o seu verdadeiro heroísmo desde o primeiro momento. É notória a forma saudável com que colaboradores, seus familiares, clientes e fornecedores se envolvem na votação. Esse é um barómetro muito interessante, sobretudo porque também acaba por reforçar as histórias partilhadas na candidatura trazendo, por vezes, detalhes ainda mais interessantes que corroboram e enaltecem o seu assinalável percurso. A análise do júri fica facilitada. Por outro lado, há uma dificuldade acrescida devido ao fato de termos de decidir entre histórias de elevado valor onde a sua quantificação é sempre complexa. O momento da decisão passa por algumas horas de reflexão individual e outras tantas de debate conjunto, procurando consenso entre todos os elementos do júri. Apesar de ser um processo exaustivo com diferentes pontos de vista, é uma fase de satisfação e orgulho por ajudarmos a trazer à ribalta os verdadeiros heróis do empresariado português.

A segunda edição dos Heróis PME trouxe uma novidade, o prémio Fénix. Sentiram necessidade de distinguir e premiar as empresas que foram vítimas dos fogos que assolaram o país em 2017?

Sendo que o projeto Heróis PME existe para dar visibilidade e reconhecimento às pequenas e médias empresas que abraçaram e venceram desafios bastante exigentes, em que tiveram de demonstrar ambição, coragem, persistência e resiliência, entendemos que os incêndios de 2017 foram uma situação que ilustrava de forma extrema o tipo de obstáculos que podem aparecer no percurso de um empresário, exigindo uma resposta rápida, de coragem, muitas vezes, verdadeiramente heróica. Por esta razão decidimos premiar empresas que perderam tudo, mas que não desistiram e foram à luta, começando a reconstruir lentamente tudo o que perderam. É este tipo de valor e persistência que classifica um Herói PME.

O que ganham as empresas que concorrem e se sagram vencedoras?

Mais que tudo, a visibilidade que oferecemos a estas empresas está sempre presente na nossa missão e objetivo principal, não só às cinco vencedoras como ao top 10 das mais votadas. Este ano, em parceria com a SIC Notícias, os cinco grandes vencedores têm direito a um episódio exclusivo sobre a sua empresa, enquanto as dez mais votadas têm a sua história divulgada e partilhada em todos os canais digitais do projeto. A Yunit Consulting oferece aos vencedores uma avaliação da sua empresa ou um diagnóstico estratégico e apoio nas candidaturas ao REPOR, para as empresas afectadas pelos incêndios. Também a VICTORIA Seguros, a Hamlet e a Green Media oferecem serviços de diagnóstico e consultoria e a Universidade Católica oferece um curso de formação para executivos adaptado ao perfil de cada empresário.

Em dois anos, que reflexão fazem dos Heróis PME?

Começámos em 2016 e sentimos que a primeira edição do prémio foi um sucesso, com dezenas de candidaturas que trouxeram uma amostra muito representativa do tecido empresarial português. Empresas de todas as regiões, dos mais diversos setores de actividade, cujo trabalho beneficia milhares de portugueses. Para estas empresas, o impacto positivo da participação nos Heróis PME começou a revelar-se logo na fase das votações, antes mesmo de se conhecerem os finalistas. Para os vários concorrentes, a mobilização para conseguir votos revelou-se uma excelente oportunidade para comunicar com parceiros de negócio ou mobilizar os colaboradores. Esta dimensão de team building e de mobilização interna tornou-se ainda mais importante para as empresas que chegaram à fase final do concurso. Se o reconhecimento do papel dos colaboradores na obtenção do prémio foi uma unanimidade entre as empresas vencedoras, outra foi o orgulho que todos expressaram por ver reconhecida a sua trajetória. Também pela repercussão que gerou, não apenas nos media, mas especialmente nas próprias comunidades em que as empresas se inserem, não admira que alguns dos concorrentes tenham visto o prémio como uma verdadeira iniciativa de responsabilidade social. Uma ação bem-sucedida em dar visibilidade não só às empresas individuais, mas ao conjunto das PME portuguesas. É uma iniciativa que, apesar dos parceiros que nos apoiam, exige algum esforço financeiro, mas que entendemos ser uma marca que queremos deixar.

Na sua perspetiva, que importância assumem, hoje, as pequenas e médias empresas em Portugal?

As PME, sobretudo de cariz familiar, são a base da economia portuguesa. São centenas de milhares e empregam milhões de pessoas em Portugal. São as PME que ainda garantem alguma descentralização no país, garantido alguma empregabilidade em regiões onde, por vezes, a retenção dessas pessoas às suas origens se deve a estas empresas. Vejam o caso da Delta, que connosco carrega a bandeira dos Heróis PME, e o papel que tem representado no Alto Alentejo desde há décadas. A natureza das PME reúne um conjunto de características que são um ativo fortíssimo numa economia dinâmica e altamente competitiva: rapidez de decisão, elevada flexibilidade, proximidade da gestão às equipas, entre outros. Se adicionalmente souberem aproveitar bem as sinergias com outras PME têm então reunidos todos os requisitos para triunfar eliminando o handicap que a sua dimensão insinuaria. No caso dos nossos Heróis PME, algumas empresas que chegaram ao top 5 nestas edições faturam entre dez a 30 milhões de euros por ano e muitas são exportadoras com reconhecido sucesso internacional. São empresas que acrescentam valor real ao país, que dão dinamismo à economia e criam emprego de qualidade.

E como é que define uma PME de sucesso?

Em primeiro lugar está a capacidade do empresário de sonhar, de ter coragem para ousar, arriscar e dar o salto, mas também de, em seguida, colocar os planos em prática através de uma boa estratégia. Na verdade, o que se exige aos Heróis Empresários é que tenham a cabeça no céu e os pés na terra e fazer dessa caminhada difícil o seu
dia-a-dia. Uma PME de sucesso tem também de ser uma empresa que contribua para a felicidade e realização dos seus colaboradores e, para isso, o empresário tem de ser um verdadeiro líder, que inspire e dê confiança total às suas equipas para que estas sirvam bem os seus clientes. Não há maior angústia para um empresário que ter de tomar decisões que sabe que impactam a vida dos seus colaboradores e famílias. Mas também não há maior satisfação que ver o entusiasmo e sentir o orgulho com que as pessoas que consigo trabalham vivem diariamente. Uma empresa que possua uma boa estratégia, assente numa base sólida, que se preocupe com os colaboradores e que, obviamente, cumpra os requisitos legais tem tudo para ser uma PME de sucesso.

 

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