Pessoas

Carlos Ribas, representante da Bosch em Portugal – “O mercado, o setor e a tecnologia estão em constante evolução, por isso é nossa responsabilidade preparar cada colaborador para esse futuro”

A Bosch é representada em Portugal pela Bosch Termotecnologia, em Aveiro, a Bosch Car Multimedia em Braga e a Bosch Security Systems em Ovar representando mais de 3.100 colaboradores em Portugal. São um dos maiores empregadores industriais do país, isso acrescenta uma certa responsabilidade na sua gestão, não?
A Bosch está em Portugal desde 1911 e, ao longo destes mais de 100 anos temos evoluído de uma forma sustentada e positiva. Hoje somos uma das maiores empresas a operar em Portugal e um dos maiores empregadores com mais de 4.500 colaboradores. O forte crescimento que temos registado nos últimos anos obriga-nos a uma muito maior responsabilidade da nossa parte. Se os nossos colaboradores são o nosso valor maior, temos de lhes oferecer as melhores condições possíveis bem como estabilidade e garantia de um futuro. Temos um nome a respeitar e queremos cada vez mais mostrar-nos como empresa sólida, e inovadora, nunca esquecendo as nossas responsabilidades para com a sociedade e a generalidade dos nossos stakeholders. Empenhamo-nos cada vez mais na dinamização das economias locais, seja através da criação de emprego, de projetos de I&D com universidades ou do “Clube de Fornecedores”, anunciado recentemente e que vai permitir tornar ainda mais competitivas empresas nacionais. Queremos um Portugal que transmita confiança aos investidores que pretendam instalar-se no nosso país, a começar pela disponibilidade de recursos altamente qualificados nas áreas do conhecimento e da criação. Também para o Grupo Bosch estes têm sido fatores decisórios para os avultados investimentos que temos realizado nos últimos anos e que pretendemos continuar a fazer no futuro.

Como tem evoluído a empresa em Portugal? E qual o número de colaboradores nos últimos anos e nos próximos?
Os resultados da empresa em Portugal são muito animadores. Em 2016, pela primeira vez
na nossa história em Portugal, ultrapassamos os mil milhões de euros de vendas, dos quais
mais de 90% é exportado, o que torna ainda mais significativo o nosso impacto na economia portuguesa. No ano passado recrutámos cerca de 1.000 novos colaboradores na totalidade das operações da Bosch em Portugal.
Prevemos continuar a crescer nos próximos anos, visto que Portugal é hoje um parceiro estratégico da Bosch em várias áreas do negócio. Mostramos ser um dos países mais competitivos na Investigação & Desenvolvimento associado à manufatura. Podemos referir vários exemplos: a partir de Aveiro controlamos todo o negócio mundial da Bosch na área de soluções de água quente. Em Braga somos benchmarking no desenvolvimento e manufatura de soluções de multimédia automóvel, bem como sensores que vão contribuir para a definição da mobilidade do futuro. Estamos a trabalhar para que a nossa unidade de Ovar se torne um centro de desenvolvimento na área das cidades inteligentes. Hoje, Portugal é um centro de competências de excelência para o Grupo Bosch, e isso tem-se refletido no aumento de recursos altamente qualificados, mas não só, e nos projetos em curso.

O que é para si um bom líder?
Acima de tudo alguém que lidera pelo exemplo, guia, mostra como e o porquê de se fazerem as coisas de determinada forma. Comunicar também é muito importante, saber passar a mensagem de forma a que todos a entendam da mesma forma e a assumam como sua. As pessoas seguem aqueles com quem se identificam. O que tentamos fazer na Bosch, a todos os níveis hierárquicos, é que todos tenham consciência dos objetivos, das funções e o que é preciso fazer para os atingir. A resiliência, perseverança e alguma audácia são outras caraterísticas que um bom líder deve ter.
Acredito que só desta forma é possível que todos os colaboradores da Bosch se sintam envolvidos e contribuam para os objetivos.

Como conseguem encontrar os colaboradores altamente qualificados de que precisam? Estar em Aveiro, Braga ou Ovar é um problema?
A principal razão pela qual conseguimos atrair muitos e bons talentos tem essencialmente a ver com a capacidade de conseguir que os nossos talentos se apaixonem pelos projetos que lhes propomos. A possibilidade de poderem trabalhar no limite do conhecimento com muita inovação e muitos projetos que nos fascinam a nós e aos futuros clientes em fase de desenvolvimento.
Existem também outros fatores importantes, tais como a proximidade de universidades e politécnicos locais; uma visibilidade cada vez maior através dos nossos projetos de I&D para a mobilidade do futuro, casas e cidades inteligentes, o que nos permite atrair a atenção de profissionais mais qualificados que querem fazer a diferença nestas áreas. No ano passado, mais de 250 novos engenheiros foram integrados nas nossas equipas. De facto, e até ao momento, recrutar não tem sido dos nossos maiores problemas em nenhuma das localizações industriais, seja em Aveiro, Braga ou Ovar.

O que recomendaria às empresas que tem dificuldade em recrutar para certas funções técnicas? Que tipo de ações devem levar a cabo?
Por vezes as funções são muito específicas e não há muitas pessoas com as qualificações necessárias para o desempenho das tarefas. No nosso caso, trabalhamos em estreita parceria com os pólos de conhecimento, conseguimos influenciar positivamente áreas curriculares do ensino superior em
algumas Universidades para que os cursos sejam de alguma forma adaptados às realidades empresariais. Acreditamos que desta forma é possível formar profissionais com as competências que vão seguramente ser um valor acrescentado para as empresas.
A melhor forma de atrair talentos é oferecendo-lhes projetos nos quais eles se sintam plenamente envolvidos e responsabilizados, pois só desta forma se irão sentir profissionalmente realizados.

Qual a vossa política a nível de responsabilidade social?
Enquanto uma das maiores empresas a atuar em Portugal, a responsabilidade perante a comunidade é também muito significativa. A responsabilidade social da Bosch em Portugal passa pela relação com os seus colaboradores, o desenvolvimento das economias locais e o apoio a questões como o desemprego jovem e a solidariedade social. A Bosch é promotora de iniciativas que visam introduzir comportamentos e ações importantes para o desenvolvimento da sociedade. Dou como exemplo o Skills Lab, um projeto piloto iniciado em Braga no ano passado que nos permitiu inserir 25 recém-licenciados no mercado de trabalho, e as nossas Corridas solidárias, com as quais doámos mais de 300.000€ nos últimos 5 anos e que reverteram a diversas instituições.

Que tipo de investigação estão a levar a cabo nas vossas unidades portuguesas? O que lhe parece mais promissor?
No nosso centro de competências em Aveiro investigamos e desenvolvemos soluções de água quente (ex. caldeiras, esquentadores e bombas de calor) e aquecimento para as casas inteligentes, mas com uma preocupação de oferecer sempre, produtos mais eficientes em termos de consumos e utilização de recursos. Em Braga, estamos a contribuir fortemente para a definição da mobilidade do futuro, a condução autónoma. A investigação abrange, por exemplo, sistemas que permitem a comunicação entre carros, sensores por atuação gestual e as mais inovadoras tecnologias de interação homem-máquina de multimédia automóvel. Por sua vez, a unidade de Ovar tem um departamento de I&D que está a trabalhar em parceria com uma rede internacional na Bosch no desenvolvimento de soluções devideovigilância para as cidades inteligentes.
Não estamos a pensar apenas no que o mercado nos está a pedir hoje, mas essencialmente nas suas necessidades e expetativas futuras. Queremos antecipar-nos e oferecer aos nossos clientes os produtos ou sistemas que vão desejar no futuro.

A inovação industrial é um tema transversal à empresa, a chamada 4a revolução industrial…
A Indústria 4.0 está a criar uma nova realidade industrial e modelo de negócio: tudo vai estar conectado com tudo, o que irá permitir tomar as melhores decisões, sejam tomadas, em tempo real. Na Bosch desenvolvemos plataformas e soluções tecnológicas para utilização interna e externa, fornecendo o mercado internacional. Pretendemos otimizar e melhorar a eficiência, e ao mesmo tempo comercializar as nossas soluções. São duas formas de beneficiar desta evolução.

Como acha que se devem preparar as empresas no geral?
Temos de estar abertos às inovações tecnológicas que a Indústria 4.0 nos traz e saber investir na implementação das soluções e na qualificação dos nossos colaboradores.
Cabe-nos aproveitar os benefícios dessa evolução para o sucesso do negócio. Vai ser necessário entender muito bem os sinais do mercado e rapidamente nos adaptarmos a essas mudanças.

O que acha que vai mudar ao nível das funções nas empresas nos próximos anos?
Como se devem preparar os profissionais?
A digitalização/software e conetividade estão a mudar totalmente o “Modelo deNegócio” tal como ainda hoje o conhecemos. As empresas que não souberem interpretar e adaptar-se a esta nova forma
de fazer negócio não vão sobreviver nos próximos 5 a 10 anos.

A formação é um tema importante para a Bosch? Como se reflete nos colaboradores?
A formação é essencial na Bosch, a todos os níveis. Todos os colaboradores têm um plano de formação técnica e comportamental, delineado com base no potencial de desenvolvimento identificado na avaliação anual.
O mercado, o setor e a tecnologia estão em constante evolução, por isso é nossa responsabilidade preparar cada colaborador para esse futuro.

Como estão organizados os recursos humanos da Bosch? Quantas pessoas existem na ou nas equipas?
Cada localização tem um departamento de recursos humanos e o número de colaboradores varia de localização para localização. Acreditamos que funciona melhor desta forma pois há necessidades
específicas em cada localização e só assim encontramos os melhores para os lugares disponíveis. No entanto, temos também uma equipa central responsável pelos processos e formações, localizada em Aveiro; uma equipa no front office, que atua a partir de Braga para as localizações em Portugal, e é quem contacta diretamente com o colaborador para dar resposta aos mais variados pedidos; e uma equipa de backoffice, em Lisboa, que presta um serviço partilhado para Portugal, Espanha, Itália,
França e Suíça.

O que ainda tem para fazer na Bosch?
Quero trazer mais negócios para a Bosch em Portugal, tanto para a produção como para o desenvolvimento, e garantir que o nosso país continue a ser uma opção atrativa para o Grupo no futuro. Quero que os nossos colaboradores sintam ainda mais orgulho e motivação em trabalhar na Bosch. E, por fim, quero contribuir ainda mais para o crescimento da economia de Portugal.

 

Entrevista in RHmagazine, n.º 109, Março/Abril 2017

Mais entrevistas de interesse:

Previous post

Edenred reconhecida e galarduada com dois prémios pelo seu projeto de rebranding

Next post

Reputação, satisfação e motivação

Ana Silva

Ana Silva

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *