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Catarina Oliveira, Coordenadora do Centro Nacional Europass – “Não existe escassez de talentos em Portugal, existe sim é uma grande falta de oportunidade para que esses talentos sejam reconhecidos no nosso mercado de trabalho.”

Em todos os países da UE existe um Centro Nacional Europass. Fale-nos um pouco do de Portugal.
O Centro Nacional Europass (CNE) é a entidade responsável pelo Europass em Portugal, e tem como principais funções promover e gerir o Europass, garantir o uso eficaz dos documentos Europass e ajudar os cidadãos a preencher os documentos Europass. Desde a criação do Europass, em 2005, até ao momento, 25.115, 545 Europass CV foram emitidos em Portugal, o que nos permitiu ficar no 1o lugar do ranking europeu na utilização do Europass. Só no primeiro semestre deste ano, já foram emitidos 2.086,408 documentos Europass em Portugal.

Qual o objetivo principal do Centro Nacional Europass?
O CNE tem uma grande preocupação em apoiar os jovens à procura do 1o emprego. Neste sentido, o CNE promove a utilização dos documentos Europass em diversos seminários e  conferências nacionais. Paralelamente, o CNE vai às escolas secundárias e profissionais sensibilizar os jovens para a importância de começarem a desenvolver o seu Europass CV, promovendo sessões práticas de preenchimento do Europass CV e Europass Passaporte de Línguas. Anualmente promove o seminário Hunting Jobs – Jovens à procura do primeiro emprego para recém-licenciados. As sessões do Europass pretendem ajudar a preencher o CV e a carta de motivação, explicar a importância das competências transversais, desenvolver uma análise swot e disponibilizar dicas para a entrevista de trabalho.

Que metas querem alcançar no futuro?
O CNE pretende focar-se nas empresas portuguesas. É importante sensibilizar os empregadores/recrutadores para a vantagem de receberem os CV em formato europeu. A uniformização deste documento permite ao empregador/recrutador captar os conhecimentos e competências de uma forma mais facilitada e mais rápida, visto já saber onde se encontra a informação que procura. O que acontece em formatos livres é que nem sempre os CV vão ao encontro das necessidades dos empregadores. O Europass desenvolveu uma ferramenta que permite armazenar e extrair, de um modo eficaz, informações a partir de uma base de dados de recursos humanos, facilitando a análise dos CV pelos empregadores/recrutadores. (http://interop.europass.cedefop.europa.eu/). Por outro lado, o Europass preocupa-se em dar aos jovens, em especial os jovens que não trabalham nem estudam, a possibilidade de utilizarem o CV Europass como uma ferramenta para a sua empregabilidade, demonstrando as suas competências técnicas e sociais.

A tecnologia veio revolucionar completamente o mercado de trabalho. O que é que o Europass tem feito para poder responder a estas novas exigências?
O Europass vai-se adaptando às realidades do mercado. A importância de se registrar no CV as competências para o mercado de trabalho partiu do modelo Europass. Neste momento é possível colocar diretamente o CV Europass em plataformas de emprego, como o Eures ou Monster. Os documentos Europass encontram-se em formato digital, podendo serem utilizados a partir da plataforma comunitária CEDEFOP. Por outro lado, qualquer organização pode tornar-se interoperável com o Europass, desde que mantenha uma base de dados de CV ou um sistema informático em que os candidatos a uma vaga de emprego preencham um formulário de inscrição. O Europass estabelece assim sinergias com entidades recrutadoras, serviços públicos de emprego, portais de emprego, entre outros. Atualmente o recrutamento está a sofrer algumas alterações, mas é sempre possível casar o papel com as novas tecnologias. O CV em papel deve conter um resumo de informação que poderá ser completado com informação que conste nas redes sociais, nomeadamente o linkedin.

Qual a sua opinião sobre o facto de as atividades comportamentais dos profissionais serem consideradas no CV?
Considero fundamental porque é necessário que o candidato combine uma formação de excelência e um currículo competitivo e diferenciador. Para isso é necessário mencionar as competências técnicas e as competências transversais. É pelas competências transversais (soft skills) que os empregadores/recrutadores podem selecionar os candidatos para a entrevista de trabalho. É muito diferente um candidato que adquiriu muitas competências porque participa ou participou em diferentes iniciativas (projetos europeus, voluntariado, organização de eventos, entre outras), daquele candidato que investiu muito pouco na sua autoformação enquanto pessoa/cidadão.

Atualmente fala-se da escassez de talentos no mercado, mas por outro lado, ainda existem milhares de pessoas à espera de oportunidades. O que acha que pode ser feito para combater esta realidade?
Penso precisamente o contrário. Não existe escassez de talentos em Portugal, existe sim é uma grande falta de oportunidade para que esses talentos sejam reconhecidos no nosso mercado de trabalho. Em Portugal existem entidades que já desenvolvem concursos para promover o reconhecimento de talentos e competências em áreas diversas, nomeadamente na cultura, artes, design, ciência. Mas o importante é continuar a promover este tipo de iniciativas e, por exemplo, o prémio em vez de ser em valor monetário poderá ter uma vertente mais prática, ou seja, um estágio na empresa ou a reprodução e comercialização do produto premiado, ou ainda a possibilidade do registo da patente deste produto inovador. Este tipo de prémios irá enriquecer em muito o CV dos participantes, facilitando a sua integração no mercado de trabalho da sua área. Este trabalho apenas será sustentável se se verificar uma mudança de mentalidades, isto é, pensamento no mercado de trabalho global.

Deixe alguns conselhos aos jovens que estão agora a integrar-se no mercado de trabalho?
É importante desenvolver um Europass CV bem estruturado e competitivo. Para que o candidato consiga captar a atenção do empregador/recrutador deve apresentar um CV ajustado à função a que se candidata. Para tal aconselha-se a procurar o máximo de informação sobre a empresa e a função a que se está a candidatar. O CV também deve conter informação clara sobre as competências desenvolvidas ao longo do percurso escolar/académico e profissional, participação em atividades extracurriculares e em projetos, experiências internacionais e ações de voluntariado.

Tipos de Europass

Europass Curriculum Vitae
Documento que regista informação sobre educação e formação, percurso no
mercado de trabalho, competências linguísticas, capacidades e competências
pessoais e informação adicional.

Europass Passaporte de Línguas
Documento que regista os conhecimentos em línguas estrangeiras, as experiências e competências culturais.

Europass Mobilidade
Documento que regista, num modelo comum, o percurso de aprendizagem, estágio, formação profissional ou estudos na Europa.

Europass Suplemento ao Diploma
Documento que regista os conhecimentos e competências adquiridas durante o período académico, facilitando a compreensão por terceiros do significado do diploma. A emissão é da responsabilidade das instituições de ensino superior.

Europass Suplemento ao Certificado
Documento que regista a descrição geral do curso e dos créditos do certificado de formação profissional. A emissão é da responsabilidade das instituições de formação profissional.

 

Entrevista in RHmagazine, n.º 112, Setembro/Outubro 2017

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