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Colaboradores são os novos clientes das empresas

Tratar os colaboradores como são tratados os clientes, para atrair e reter talentos. Esta foi a principal conclusão do encontro que se realizou na passada quinta-feira, nas instalações do SAS Institute Software, em Lisboa.

O SAS Institute Software, em parceria com a Great Place to Work Portugal, promoveu, na passada quinta-feira, um debate acerca dos desafios inerentes à atração e retenção de talentos. Tratar os colaboradores como tratam os clientes, para atrair e manter os profissionais, é o novo mandamento das empresas. A correlação existente entre a felicidade interna e externa irá refletir-se no sucesso empresarial.

Participaram no debate Ricardo Pires Silva, diretor-executivo do SAS Institute Software, Maurício Korbivcher, diretor-geral da Great Place to Work Portugal, Rute Medo, diretora de compromisso e reconhecimento do Santander Totta, Sílvia Agostinho da Silva, professora do departamento de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional do ISCTE-IUL, e Bruno Espírito Santo, chief operating officer da Teleperformance.

O diretor-geral da Great Place to Work Portugal considera que “se as pessoas se sentem felizes a trabalhar, então, os clientes também se sentem felizes” e vice-versa. De acordo com Maurício Korbivcher, “o cliente está no centro dos negócios e o colaborador no centro da gestão de pessoas”. “As empresas precisam de acreditar que os colaboradores são o seu diferencial competitivo”, afirmou.

Na atração e retenção dos profissionais há um elemento a considerar: o conhecido, e benéfico, engagement, que explica dois terços da experiência do cliente e a vontade dos colaboradores permanecerem na organização, referiu Maurício Korbivcher. Segundo os dados apresentados pelo responsável pela Great Place to Work Portugal, “cinco pontos percentuais de crescimento no engagement representam 0,5% do incremento do crescimento da empresa”.

Atrair e reter talentos: como?

Com o objetivo de, todos os dias, trabalharem de “forma justa, simples e próxima” e de terem “trabalhadores e clientes satisfeitos, que trazem retorno”, o Santander Totta desenvolve uma estratégia que procura o “feedback contínuo”. Rute Medo, diretora de compromisso e reconhecimento da instituição bancária, apresentou as medidas implementadas, nomeadamente uma aplicação agregadora de benefícios para os colaboradores, o programa Be Healthy, uma escola de cultura e digital, uma política de flexiwork, a StarMeUp, uma aplicação internacional de reconhecimento, e o chatbot Ser Mais.

“Se as empresas não tomarem medidas rapidamente e não perceberem que os colaboradores devem ser tratados como clientes estão condenadas”, sublinhou Rute Medo. Dada a ligação que o Santander Totta estabelece com instituições de ensino e os programas que oferece aos jovens talentos, a diretora de compromisso e reconhecimento disse que “para eles mais importante que a remuneração é a participação em programas que lhes dêem projeção”.

Na Teleperfomance, são 35 as nacionalidades dos dez mil profissionais que todos os dias entram e saem da empresa. O seu desafio é encontrar e atrair pessoas que queiram vir trabalhar para Portugal, que não tem capacidade para responder às exigências do mercado. Por isso, “a experiência que vai ser oferecida é muito importante”, adianta Bruno Espírito Santo, chief operating officer da Teleperformance.

O programa Atlantic Experience inclui medidas como o pagamento da viagem para Portugal e da estadia no território nacional, a oportunidade de trabalhar com grandes marcas e a possibilidade de progressão na carreira, uma equipa de recrutamento multilingue, suporte fiscal, bancário e de saúde e a promoção de algumas iniciativas, ao fim-de-semana, de integração com o país, com a empresa e com os colegas.

Para atrair e reter talento, “a experiência que é oferecida aos colaboradores tem de ser trabalhada”, destaca Bruno Espírito Santo. “Ter as pessoas retidas mais tempo é ter o cuidado de as tratar melhor ainda que os clientes”, acrescenta.

Mas, para promoverem o engagement, as organizações devem implementar medidas que contemplem o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, a segurança e saúde no ambiente de trabalho, que estimulem uma cultura de apoio, respeito e justiça, o envolvimento e desenvolvimento do trabalhador, considerando as características e conteúdo do trabalho e as relações interpessoais que lá se estabelecem, explicou Sílvia Agostinho da Silva, professora do departamento de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional do ISCTE-IUL.

“Há resultados a nível individual, como o engagement e o desempenho, a nível organizacional, nomeadamente a retenção dos trabalhadores e a produtividade, e ao nível societal”, esclareceu. “Investir no work engagement é uma relação de win-win, melhora o desempenho, reflete-se numa maior retenção e aumenta a criatividade. Conhecer as pessoas é fundamental e é preciso ir afinando as boas práticas que as empresas vão desenvolvendo”, alertou.

Inevitável é, agora, considerando as novas tendências no mundo do trabalho, não se falar em digitalização. “A Inteligência Artificial e o machine learning vão aumentar as nossas capacidades e o nosso sexto sentido ser-nos-á dado pelas máquinas e os algoritmos”, referiu Ricardo Pires Silva, diretor-executivo do SAS Portugal. “O poder mudou. Hoje, quem gere as organizações tem de perceber que o poder está nos colaboradores”, finalizou.

 

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