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ARTIGO: Corporate Wellness

O conceito de Corporate Wellness – ou bem-estar nas empresas – tem crescido nos últimos anos na Europa, sendo uma realidade desde a década de 80 nos Estados Unidos.

Estas políticas visam tornar as empresas locais mais atrativos e equilibrados para os colaboradores. Num mercado cada vez mais competitivo, é natural que as empresas tenham necessidade de atrair e reter os seus talentos. As empresas há muito que compreenderam que a velha máxima “mente sã em corpo são” do poeta romano Juvenal, é cada vez mais uma realidade com impacto na produtividade, na eficiência e, por consequência, nos resultados.

Muitas vezes estes programas são vistos como um “nice to have” e não como parte da estratégia da empresa. Contudo os factos contam uma história diferente. As evidencias são mais do que muitas – ver quadro anexo – e a estas acresce o incentivo fiscal que as empresas podem alcançar, para além de tudo o resto.

As empresas que possuem um plano de Corporate Wellness, têm politicas definidas que permitem aos colaboradores escolher um conjunto de benefícios que os ajude a melhorar a sua vida na empresa ou fora dela. Afinal somos a mesma pessoa…é importante não esquecer que os problemas não ficam do lado de fora da porta.

A amplitude dos programas de Corporate Wellness é tão vasto quanto os limites dos recursos que as empresas disponibilizam ou não. Vejamos: por vezes não é preciso mais do que criar sinergias para poder oferecer aos colaboradores um conjunto de benefícios sem que exista um custo associado; estamos a falar, por exemplo, da extensão dos benefícios que a empresa já tem com fornecedores habituais, aos seus colaboradores. Claro que os benefícios diretos – “fringe benefits” – são tendencialmente mais bem vistos pelos colaboradores, e também acabam por ter um enquadramento fiscal benéfico para a empresa. A decisão sobre o tipo de benefício deverá ser sempre ajustada à realidade da empresa. Os benefícios nem sempre têm de ser “físicos”. Um exemplo muito específico: dar alguma flexibilidade de horário aos colaboradores e permitir que este tenha mais 30 minutos à hora de almoço para ir ao ginásio treinar. Este beneficio pode fazer a diferença e permitir que o colaborador comece a praticar exercício, pois caso contrário não conseguirá encaixar esta rotina no seu dia de trabalho, quer seja porque tem limitações nos horários dos transportes, ou porque tem de ir buscar os seus filhos. Quais os ganhos? Maior produtividade, mais confiança e mais saúde.

Alguns exemplos do que poderão ser os serviços que estão num pacote de Corporate Wellness:

– o seguro de saúde para o próprio ou família
– um acordo preferencial com uma unidade hoteleira ou clinica ou instituição bancária
– um SPA
– um ginásio
–  rent a car

A saúde e bem-estar é um dos pilares que mais se tem desenvolvido nos últimos anos, no que concerne o Corporate Wellness, também devido à ausência de políticas de bem-estar implementadas pelos governos na promoção deste tipo de iniciativas, devido aos sucessivos cortes. As empresas privadas na sua maioria, e quase em exclusivo em Portugal, decidiram não deixar em mãos alheias estas iniciativas e chamaram a si a responsabilidade. Nos últimos 4 anos temos assistido a um crescimento das políticas de saúde e bem-estar nas empresas em Portugal, muito por mão da nova geração de gestores que incorporam no seu dia a dia estas rotinas e compreendem o benefício que transmite a sua produtividade.

Se olharmos para a pirâmide de Maslow, as necessidades fisiológicas, segurança e as de autoestima estão diretamente ligadas com o conceito de bem-estar, sendo estas as mais básicas. As empresas americanas, cedo analisaram os efeitos das praticas associadas à saúde, como o exercício, nutrição, postura e eventos – team buildings – como fatores diferenciadores na performance das equipas, ou seja, os colaboradores que tinham um bom estilo de vida (lifestyle) eram os mais produtivos, mais criativos e mais resistentes ao stress e ao cansaço. Importante ainda mencionar que as políticas de Corporate Wellness têm uma redução nos custos do trabalho e um aumento da produtividade. Ora vejamos (dados USA):

  • 1 em cada 3 empresas possui um plano de Corporate Wellness
  • a obesidade, o tabaco e a diabetes são os fatores que mais contribuem para o aumento dos custos, quer através das despesas de saúde, quer do aumento do absentismo
  • os custos do tabaco são muito elevados – um fumador tem uma média de falta de 6,2 dias por ano e um não fumador de 3,9 dias. A isto podemos juntar o tempo que se perde em pausas para o cigarro que se estima ser, em média, de 30 minutos/dia
  • diminuição da produtividade tem um custo de 1.685 dólares por empregado/ ano
  • estudos demonstram que o bem-estar no trabalho reduziu em média 28% das faltas por doença
  • queda dos custos de saúde em 26%

Ou seja, onde alguns vêm um custo, existe na realidade um proveito, pois o ROI neste tipo de iniciativas é de 3,27 dólares por cada dólar investido. Mas atenção, os programas de Corporate Wellness precisam de ser planeados de acordo com a estratégia da empresa e para tal é importante fazer um diagnóstico correto para depois traçar um plano correto.

Em Portugal já existem empresas que possuem planos de Corporate Wellness, bem estruturados e apoiados por equipas pluridisciplinares com supervisão médica, deixando de ser apenas esta uma responsabilidade do médico da medicina do trabalho, que muitas vezes não possui o suporte necessário para a implementação destas dinâmicas.

Por último, tão importante quanto ter um plano, é medir regularmente o mesmo, para analisar o seu retorno. Agora o importante é começar.

 

Autor: Sérgio Marques – Diretor de marketing e vendas do Holmes Place Portugal

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