Eu falo. Falo todos os dias e falo muito. Mas será que escrevo? Respondo a emails, tomo notas no meu caderno e uso e abuso do teclado do telemóvel… mas será que escrevo? Não escrevo. Já escrevi, há um tempo atrás, mas já não escrevo.

Quando lançaram este desafio: “enviar-nos uma crónica/texto por mês”, o meu instinto disse-me: vai. Aceita. Vais voltar a escrever. Isto porque adoro escrever, mais do que falar. Talvez por permitir-me ter mais bom senso a expressar os meus pensamentos…. Uma frase não escorrega inoportunamente para um papel, como por vezes um pensamento escorrega para a voz alta.

Não escrevendo há tanto tempo, pensei: e agora? Tantos gurus portugueses com tanta sabedoria escrita em gestão de pessoas, e eu vou escrever sobre o quê? E alguém sábio aconselhou: escreves a tua decisão e o que vai na tua alma por aceitares.

Desafio aceite. Aqui, procurarei partilhar desafios que encontro neste mundo complexo e insatisfeito de gestão de pessoas. Assisto a muitas atitudes diferentes de “belos” discursos sobre a melhor forma de gerir pessoas… mas “gargantas há muitas” e é nas atitudes que encontramos a prova real de uma promessa e expectativa.

Por entre uns dias e outros, questiono: carreira e remuneração: haverá equilíbrio?

É bem real a disputa que existe entre o evoluir da carreira profissional e a silenciosa compensação salarial não-associada. Assisto diariamente a muitos portugueses que cumprem o famoso “ciclo de vida do colaborador” e dão continuamente um grau extra ao seu trabalho (em nome de um futuro melhor) em detrimento de momentos que pertencem “à outra vida”:  umas férias com o telemóvel constantemente em acção ou até mesmo faltar a uma festa da escola…Em resumo, sobram olhos orgulhosos para as ditas palavras: “tens um grande valor nesta equipa e potencial para mais. Queremos apostar em ti e terás mais responsabilidades. Acreditamos que és a melhor pessoa para este desafio.” ….. Desafio aceite? Poucos recusam. Revêm-se na confirmação do seu ego. Afinal, são as palavras certas no momento certo. E quando vem a pergunta: e a compensação? As palavas continuam: “mostra que és capaz e a empresa recompensar-te-á”. E lá vão as “formiguinhas-trabalhadoras” trabalhar ainda mais, sacrificar outros tantos momentos “da outra vida” … defender uma carreira profissional com a consciência de uma não- proporcional compensação salarial. E esperar que um dia a atitude reflita a veracidade das palavras.

Será que vale a pena? A cada um, caberá avaliar a sua situação. A cada um, caberá decidir. E que seja uma boa decisão.

Por Inês Vaz Pereira 

 

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