AtualidadeMercado de TrabalhoRetribuição e compensação

Eduardo Catroga: “Os executivos portugueses ganham um terço dos congéneres aqui ao lado”

Eduardo Catroga, atual presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, considera que as políticas de remunerações devem resultar de um equilíbrio entre os fatores internos e o contexto internacional.

A propósito da sua participação na conferência sobre remuneração e corporate governance, organizada pela Mercer, em parceria com a Sérvulo & Associados, no passado dia 24 de janeiro, em Lisboa, o antigo ministro das Finanças socorreu-se da história que escreve há 50 anos em grandes projetos empresariais, para explicar que as políticas de remunerações devem resultar de um benchmarking internacional. “A Comissão de Vencimentos da EDP analisa as práticas das empresas congéneres do setor, a nível ibérico e internacional, para que a sua política de incentivos se enquadre nas estratégias internacionais”, afirmou.

Portugal começa a distanciar-se do rótulo de “país de brandos costumes”, que lhe é frequentemente atribuído, e já há quem questione e critique as remunerações dos executivos. Mas, na perspetiva de Eduardo Catroga, a chuva de críticas é fruto da “dificuldade em olhar para o que é uma empresa internacional, que tem drivers de crescimento e de eficiência, determinados por fatores internos, mas cada vez mais determinados por fatores que se situam para lá deste território à beira mar plantado”. “Toda a gente tem conhecimento das críticas que surgem em relação às remunerações totais do executivo A, B ou C. A verdade é que ganham um terço dos congéneres aqui ao lado, que trabalham no mesmo setor. A EDP é a mais internacional das empresas, portanto tem de ter os melhores talentos à escala internacional e no seu setor. As comparações devem ser feitas, mas sem esquecer o profissionalismo, o rigor, a transparência e o bom senso”, referiu.

O economista aproveitou para endereçar a sua insatisfação aos reguladores – “muito importantes na eficiência dos mercados”. “Precisamos de regulação inteligente, em alguns casos independente do poder político e independente do poder das empresas. Estamos a assistir, particularmente no setor financeiro – onde a interferência dos reguladores é excessiva –, a uma diarreia legislativa”. E reforçou: “Os reguladores têm de parar e a legislação deve ser mais seletiva e mais inteligente, sob pena de comprometerem a eficiência das organizações”. Eduardo Catroga reconheceu que os reguladores “nem sempre têm sentido de proporcionalidade”.

Questionado sobre a eficácia do Conselho de Administração Executivo e do Conselho Geral e de Supervisão (CGS), que caracterizam o modelo dualista da EDP, o Presidente do CGS esclareceu que “o Conselho de Administração Executivo foi escolhido pelo Conselho Geral e de Supervisão e que, ambos os órgãos sociais, assim como o auditor externo, são nomeados diretamente pela Assembleia Geral de Acionistas”. “O Conselho Geral e de Supervisão não é só um órgão de fiscalização. É um órgão de aprovação das grandes decisões estratégicas, que, em função das competências estatutárias que lhe foram atribuídas, é responsável pela gestão executiva da sociedade”, acrescentou. “Mas todos os modelos são bons ou maus e apresentam vantagens e inconvenientes. Tudo depende da qualidade das pessoas, que são o fator determinante, e da metodologia adotada”, rematou.

Ao lado de Eduardo Catroga estiveram, também, Pedro de Mello, Vice-Presidente do Grupo José de Mello e Presidente do Conselho de Família, Soledade Carvalho Duarte, Managing Partner da Invesco Transearch, e José Gonçalo Maury, Presidente do Conselho de Remunerações e Previdência do Millennium BCP.

Na conferência foi, ainda, apresentado um estudo desenvolvido pela Mercer – prestadora de serviços de consultoria nas áreas de capital humano, benefícios, pensões e investimentos -, que concluiu que, em 2016, em Portugal, quase a totalidade das empresas auscultadas atribuiu bónus, pagos em dinheiro, aos executivos de topo (81%) e que 50% dessas empresas não apresenta políticas de remunerações claras e estruturadas. A maioria das empresas recorre aos indicadores financeiros para avaliar os resultados da organização (94%), sendo que só 32% utiliza indicadores individuais não financeiros.

 

O estudo Mercer Executive Remuneration Pulse Survey 2016 encontra-se disponível para consulta aqui.

 

Mais notícias:

Previous post

Empresas mais atrativas para trabalhar em Portugal explicam como conquistar e reter o talento

Next post

CEOs devem promover a adaptação dos colaboradores a tecnologias como a Inteligência Artificial

Ana Silva

Ana Silva

1 Comment

  1. Jose Morgado
    1 Fevereiro, 2018 at 9:56 — Responder

    Srº Drº Eduardo Catroga

    Não percebo o que diz !
    Pois por acaso também os trabalhadores Portugueses têm salários que são 1/3 dos congéneres ao lado !
    “Génios” há em muito lado

    Obrigado

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *