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Elisabete Roçado, ethics and compliance officer da Lilly Portugal: “Temos de permitir aos colaboradores desenvolverem a sua atividade profissional de forma livre”

A farmacêutica Lilly é considerada uma das empresas mais éticas do mundo segundo o Ethisphere Institute. Distingue-a a sua liderança íntegra e a ética associada aos negócios que desenvolve. A multinacional norte-americana valoriza a diversidade e a inclusão e não dissocia a ética do cumprimento de normas. Em Portugal, é Elisabete Roçado a responsável pela função de ethics e compliance que explicou, ao InfoRH, as especificidades do que cargo que desempenha.
Como é que surgiu o cargo de ethics and compliance officer na Lilly?

A formalização da função de ethics e compliance officer na Lilly ocorreu entre os anos de 2006 e 2008. No entanto, defendemos há mais de 140 anos o lema “make it better and better” em todas as filiais espalhadas pelo mundo juntamente com os nossos três valores chave: integridade, excelência e respeito pelas pessoas. O nosso compromisso com estes valores é a chave do trabalho diário de todos os colaboradores Lilly, responsáveis por garantir que todas as decisões tomadas são íntegras, promovem a confiança dos doentes e dos profissionais de saúde que servimos. O programa de ethics e compliance tem uma equipa de mais de 140 profissionais estrategicamente distribuídos pelo mundo, com a função de ajudar na tomada de decisão. Apesar de integrada na companhia, a equipa de ethics e compliance mantém total imparcialidade e independência nas avaliações que realiza. A equipa participa no processo anual de avaliação de riscos, juntamente com as equipas de todas as outras áreas. Monitoriza as atividades de negócio de forma contínua, comunica atividades relacionadas com potenciais riscos e colabora na correção de potenciais falhas, permitindo-nos impulsionar a integração de alto desempenho com alta integridade em todas as filiais e em todas as funções.

A ética e o cumprimento de procedimentos são indissociáveis?

A ética e o compliance são indissociáveis em qualquer empresa. O cumprimento de procedimentos é responsabilidade de todos os colaboradores e está no centro da nossa atividade. Faz parte da nossa cultura de integridade empresarial garantir que a forma como interagimos com os nossos parceiros, quer sejam profissionais de saúde, associações de doentes, entidades reguladoras ou os próprios doentes, é totalmente transparente e está em conformidade com os procedimentos.

A Lilly foi considerada, pelo segundo ano consecutivo, como uma das empresas mais éticas do mundo. Que políticas tem desenvolvido que lhe valeram a referida distinção?

Sim, a Lilly foi reconhecida pelo Ethisphere Institute como uma das empresas mais éticas do mundo em 2017 e novamente em 2018. Sentimo-nos muito orgulhosos e honrados com este reconhecimento, porque revela o nosso compromisso com a integridade. O programa destaca as empresas que se comprometem a liderar com integridade e que priorizam a ética nos seus negócios. Este reconhecimento abrange o trabalho de todos os colaboradores Lilly e Elanco e premeia a nossa missão de produzir medicamentos que ajudem as pessoas a viver vidas mais longas, mais saudáveis e mais ativas. Premeia, também, os nossos esforços para melhorar a saúde global, combater a fome e contribuir para as comunidades onde vivemos e trabalhamos, o nosso cuidado com o meio ambiente e o nosso apoio à diversidade e inclusão, assim como os nossos programas de benefícios para colaboradores.

As políticas implementadas são transversais a todas as subsidiárias?

A nível interno, todas as filiais da Lilly cumprem rigorosas políticas e os procedimentos que são transversais e obrigatórios. São estes procedimentos que nos permitem manter os elevados padrões de ética na relação com os profissionais de saúde, associações de doentes, parceiros, entidades governamentais, etc. Cada filial, tendo em conta o mercado onde se insere, adapta os procedimentos globais de acordo com os requisitos legais em vigor no seu país.

A liderança e o modelo de gestão da Lilly cumprem determinados critérios para que a farmacêutica seja considerada uma das empresas mais éticas?

O Ethisphere Institute utiliza um “Quociente de Ética” que permite uma avaliação quantitativa do desempenho de cada empresa de forma objetiva, consistente e padronizada. Para isso, recolhe amostras abrangentes sobre critérios concretos e os resultados são obtidos através de cinco grandes dimensões avaliadas: programa de ethics e compliance (35%), programa de responsabilidade social (20%), cultura e ética (20%), gestão e monitorização interna dos vários programas (15%) e liderança, inovação e reputação (10%). A distinção que recebemos revela excelentes indicadores nestes parâmetros e, por isso, alcançámos este lugar que tanto nos orgulha.

Em Portugal, país de onde proveem significativas receitas da multinacional, quais são os procedimentos internos implementados, nomeadamente, na área de ética e compliance, para assegurar a diversidade e a inclusão?

A diversidade e inclusão são um imperativo na Lilly. Para cumprirmos a nossa missão de ajudar as pessoas a viver vidas mais longas, mais saudáveis e mais ativas, devemos ser capazes de atrair e manter colaboradores excecionais e apoiá-los na sua individualidade. É fundamental garantir a continuidade da cultura organizacional e dos valores da companhia, mas, ao mesmo tempo, temos de permitir aos colaboradores desenvolverem a sua atividade profissional de forma livre e respeitar a sua individualidade e forma de olhar a realidade. São as diferentes perspetivas que impulsionam a inovação e a criatividade. Como companhia cuja missão é melhorar a vida dos outros, sermos reconhecido pela promoção da diversidade e inclusão é, para nós, uma honra e algo que valorizamos muito.

Como é que se caracteriza a Lilly como local de trabalho?

Na Lilly acreditamos que os colaboradores são a chave do sucesso da companhia, por isso procuramos e preservamos a diversidade de perspetivas, experiências e capacidades de todos os colaboradores. Entendemos que o desenvolvimento pessoal dos nossos colaboradores é tão importante como o seu desenvolvimento profissional, para isso, além das políticas de recursos humanos, promovemos relações totalmente transparentes entre todos os colaboradores e departamentos e oferecemos a possibilidade de os colaboradores abraçarem carreiras nacionais e/ou internacionais que vão ao encontro das suas expectativas. A multiplicidade de visões, experiências e capacidades de cada um tem permitido a aumentar a criatividade que garante grande parte da inovação.

É importante desenvolver, também, uma forte e ativa política de responsabilidade social?

Na Lilly, a responsabilidade social corporativa é uma parte muito importante da nossa cultura. Desenvolvemos várias iniciativas de responsabilidade social, nas quais os colaboradores podem participar ativamente, numa lógica de intervenção cívica, dedicando-lhes horas laborais. Entre as várias iniciativas, uma das mais importantes é o Global Day of Service, um dia de voluntariado comum a todas as filiais Lilly de todo o mundo. No ano passado, em Portugal, dedicámos o Global Day of Service a dar apoio ao Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA). Entre outras atividades que realizámos, no CASA Lisboa os voluntários confecionaram 72 almoços e 400 jantares para a população sem-abrigo e no CASA Porto servimos mais de 140 jantares. A nível global, desenvolvemos o Connecting Hearts Abroad, um programa de voluntariado em comunidades carenciadas espalhadas por todo o mundo, um programa de tratamento da diabetes e tuberculose em países carenciados, assim como um programa de combate à fome, em parceria com a Heifer International e HATCH for Hunger.

A ética está presente no seio da empresa, mas as políticas que desenvolvem estendem-se, também, ao exterior?

Sem dúvida. Na Lilly defendemos que aquilo que fazemos é tão importante como a forma como o fazemos. A companhia está fortemente empenhada na redução do impacto causado pela sua atividade e na promoção da sustentabilidade ambiental de forma global. Para isso, não só em Portugal como em todas as filiais do mundo, a Lilly tem objetivos muito concretos de poupança no consumo de água e energia e na diminuição de resíduos, entre outros. Adotamos uma abordagem ampla para entender e gerir o impacto ambiental criado ao longo do ciclo de vida dos nossos produtos e estamos constantemente a melhorar os nossos processos por forma a torná-los mais sustentáveis.

Qual é o seu maior desafio como ethics and compliance officer da Lilly Portugal?

O maior desafio da função de ethics e compliance officer é interno. Sendo uma função cuja responsabilidade é acompanhar e aconselhar todas as atividades que a companhia desenvolve, os responsáveis de ethics e compliance têm de conhecer a fundo todos os departamentos e áreas de negócio. A Lilly rege-se por um código de conduta que, além das normas locais e legislação aplicada ao setor, contempla políticas e procedimentos internos estritos por forma a garantir elevados padrões de ética. A função de ethics and compliance é como que a “voz” mais conservadora da companhia, que garante a aplicação de todas as normas, num constante desafio na procura de soluções que salvaguardem os interesses dos doentes e respeitem as leis locais e as regras da Lilly.

 

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