AtualidadeRetribuição e compensação

Empresas ganham 14 milhões de euros com despesas não declaradas pelos colaboradores

A Unit4 revela as  conclusões de um estudo independente realizado em vários países sobre o reembolso das despesas dos trabalhadores. O estudo revela que os processos pouco eficientes das empresas na gestão do reembolso das despesas têm um impacto negativo no nível de motivação e envolvimento dos trabalhadores com as suas empresas, e que são muitos os trabalhadores que não reclamam o pagamento das despesas que efetuaram.

O estudo conclui, e com base nas pesquisas que foram conduzidas em apenas 9 países, que anualmente as empresas estão a ganhar mais de 14 mil milhões de euros provenientes do reembolso de despesas não reclamadas pelos seus trabalhadores.

Um em cada três dos trabalhadores inquiridos nos nove países, afirmaram que por vezes não apresentam as despesas e não pedem o reembolso das mesmas; sendo que cada um deles deixa por reembolsar anualmente despesas de cerca de 212€. Este valor, a que os trabalhadores têm direito, acaba por reverter a favor da entidade empregadora uma vez que não foi pedido o seu reembolso.

Os trabalhadores nos EUA são os que têm uma maior percentagem de reembolsos não reclamados junto da entidade empregadora (17%, e um total de 347€ por trabalhador/ano), totalizando um valor de 8.7 mil milhões de euros que revertem anualmente a favor das empresas dos EUA, tendo em conta os dados da população de trabalhadores ativos daquele país. Este valor corresponde a quase 2% do défice do orçamento do governo (500 mil milhões de euros). Cerca de 12% dos trabalhadores alemães também não reclama o reembolso das suas despesas. Em média, ficam por reclamar anualmente na Alemanha 292€ por trabalhador, totalizando mais de 1.3 mil milhões de euros que revertem anualmente a favor das empresas alemãs. Os outros países revelaram resultados semelhantes – França (0.6 mil milhões de euros); Reino Unido (1.3 mil milhões de euros), Canadá (1 mil milhões de euros), Espanha (0.5 mil milhões de euros); Holanda (0.5 mil milhões de euros), Bélgica (0.2 mil milhões de euros) e Suécia (0.17 mil milhões de euros).

Foram apontados vários motivos para os trabalhadores não reclamarem o reembolso das despesas, incluindo: serem despesas de valor reduzido; esquecer-se de pedir as faturas; perder as faturas; e esquecer-se de submeter o pedido de reembolso das despesas.

Um em cada quatro dos trabalhadores inquiridos pelo estudo, afirmou que evita submeter pedidos de reembolso das despesas porque o processo de submissão é muito moroso e demasiado frustrante. Tal facto tem muitas vezes um impacto negativo no relacionamento que os trabalhadores tem com a sua entidade empregadora, provocando a desmotivação e o afastamento. Nalguns países Europeus, um em cada quatro trabalhadores também revelou que espera mais de um mês pelo pagamento do reembolso das despesas, após ter apresentado o respetivo pedido, já que a maioria dos pagamentos são efetuados no prazo de trinta dias.

Os processos de reembolso das despesas nas empresas não contribuem para promover a motivação dos trabalhadores, já que estas acumulam e beneficiam das quantias devidas aos seus trabalhadores. Dois em cada cinco dos profissionais inquiridos nos EUA (37%) que solicita o pagamento do reembolso das despesas afirma que é assim. Em França (24%), Espanha (23%), no Reino Unido (23%) e no Canadá (20%) aproximadamente um em cada quatro dos inquiridos afirmou não receber o pagamento dos reembolsos e ficar com falta de dinheiro. Os trabalhadores quando foram questionados sobre se consideravam que a sua entidade empregadora estava a obter vantagens financeiras à sua custa através dos processos de reembolso das despesas, responderam afirmativamente – 42% dos inquiridos nos EUA.

Já em Espanha (29%), na Suécia (26%), no Reino Unido (25%), em França (23%), no Canadá (21%) e na Bélgica (20%) dois a três em cada dez trabalhadores partilham a mesma opinião dos norte americanos, por comparação com um em cada 1dez trabalhadores na Alemanha e na Holanda. Dos trabalhadores inquiridos que responderam positivamente a esta questão, 28% (média global dos vários países) considera que este facto tem uma influência negativa no seu relacionamento com a empresa para a qual trabalham.

“Uma das coisas que gera maiores vantagens competitivas sustentáveis e de longo prazo numa empresa são os seus trabalhadores. Os trabalhadores são a empresa.  O estudo revela que o número dos trabalhadores que estão envolvidos com as suas empresas é superior aos que não estão,” afirma Kara Walsh, Chief Human Capital Officer da Unit4. “Se bem que a motivação e o empenho dos trabalhadores sejam induzidos por vários fatores, o facto é que as empresas que oferecerem um ambiente de trabalho acolhedor irão vencer a atual guerra dos talentos. Com os custos do recrutamento a situarem-se anualmente em 1.5 vezes os salários anuais, a capacidade para captar e reter trabalhadores, que são valiosos, tem um impacto significativo nos resultados finais das empresas.”

Este estudo foi levado a cabo pela Ruigrok  NetPanel em Agosto de 2015 e abrangeu gestores de topo e de segunda linha empregados a tempo integral e parcial, que apresentaram pedidos de reembolso das despesas nos EUA, no Canadá, no Reino Unido, em Espanha, em França, na Holanda, na Alemanha, na Bélgica e na Suécia. As conclusões do estudo baseiam-se nas respostas de quase 2 mil trabalhadores, e de pelo menos 200 respostas por cada país.

imprimir

Previous post

David Vitorino, diretor de classificados multimédia da Cofina: "Temos uma postura de apoio ativo a quem está à procura de emprego"

Next post

Artigo Exclusivo: Pais são esquecidos na nova legislação

IIRH

IIRH

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *