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Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal? Precisa de uma missão, objetivos definidos e uma eficaz gestão do tempo

Conferência sobre work-life balance trouxe a Portugal Nuria Chinchilla, a única mulher no Top Ten Management espanhol, e juntou os responsáveis de recursos humanos de empresas com boas práticas de conciliação da vida pessoal com o trabalho.

A temática não é nova. É, hoje, mais inclusiva – também interessa aos homens – e pertinente. E para a debater multiplicam-se as conferências. No passado dia 21 de fevereiro, foi a vez da revista Executiva, em parceria com a AESE Business School, reunir 200 participantes e conceder-lhes a oportunidade de marcar presença na conferência Work and Life Design.

Nuria Chinchilla, diretora do Centro Internacional Trabajo y Familia/I WiL, IESE Business School e docente na AESE Business School, começou por esclarecer que se trata de integrar a vida pessoal na vida profissional – tarefa que se revela de máxima importância na atual era digital e global – e não de conciliar. E foi precisamente este o mote do discurso da keynote speaker do evento.

Para integrar a vida profissional e pessoal na era digital, Nuria Chinchilla aconselhou os líderes empresariais a “tratar os colaboradores como seres completos e com flexibilidade”, porque “as pessoas são flexíveis e têm necessidades que se vão alterando”. O sucesso da integração da vida pessoal na vida profissional depende de um elemento, ou competência, como classificou, que lhes é frequentemente roubado – o tempo. E “não há vida que não tenha tempo”, esclareceu a especialista.

É no tempo que reside o segredo para o equilíbrio entre a trajetória profissional  – nova chamada de atenção para a correta utilização das palavras – e a vida pessoal. De acordo com Nuria Chinchilla, para aproveitar o tempo e rentabilizá-lo é fundamental que o líder se questione acerca do conhecimento que tem de si próprio e da sua missão pessoal e profissional – “quem sou e para onde vou”.

Certamente que, no seu discurso, já recorreu à expressão “tempo de qualidade”. Mas estará a agir corretamente para que tenha, efetivamente, tempo de qualidade? Define objetivos? Define quanto tempo quer dedicar a uma tarefa? Pensa no que lhe convém e não no que lhe apetece? Planifica as tarefas para o dia seguinte? Tem uma agenda? Saiba que quando define objetivos se liberta – “há uma liberdade de espírito e de coração” – e que “o planeamento das tarefas dá respostas positivas para os dias seguintes”, esclareceu a keynote speaker da conferência. No final, surpreenda-se, “vai haver tempo livre”, mas não seja demasiado perfecionista, porque “o perfecionismo é uma perda de tempo”, alertou Nuria Chinchilla.

O uso da tecnologia provoca, frequentemente, a fragmentação da atividade e da atenção, que se traduzem, por conseguinte, numa quebra de produtividade. A gestão eficaz do tempo implica, por isso, a desconexão dos dispositivos móveis e digitais. A especialista em conciliação da vida pessoal e profissional aconselhou a “desfrutar do momento, estar aberto ao mundo, desfrutar de outras coisas que sempre existiram, escutar os outros e desconectar-se”. E acrescentou: “É fundamental deixarmos de viver em alerta”.

Interiorizado o referido pensamento, há que tomar decisões quando se acede ao correio eletrónico. Eliminar o e-mail – “o lixo é uma ferramenta para triunfar”, disse a espanhola –, reencaminhá-lo para a secretária, responder ou arquivar.

A frase não é nova, mas no contexto discutido assume uma especial relevância. “Somos o realizador e o ator principal da nossa vida, por isso, se a planificarmos como um todo, seremos mais eficazes e mais felizes”, reforçou Nuria Chinchilla. Por questões culturais, não é, ainda, uma prática recorrente em Portugal, mas “é importante dizer que não”, aconselhou. “Não podemos estar em todo o lado”, concluiu.

Na conferência marcaram presença, também, Sílvia Tinoco, responsável de recrutamento, formação e desenvolvimento da Liberty Seguros, Salvador López Orland, diretor-geral da Mundipharma, Sofia Mendonça, diretora de recursos humanos do McDonald’s, João Tavares, diretor-adjunto de recursos humanos da EDP, Paula Ferreira Borges, diretora de capital humano do Novo Banco, e Luís Veiga, diretor de comunicação da HUF. Na alinhada apresentação das boas práticas das referidas empresas, a flexibilidade no tratamento conferido aos colaboradores foi o denominador comum . De acordo com o painel de oradores, as medidas implementadas devem considerar as necessidades individuais dos empregados – papel que cabe à gestão dos recursos humanos. Todos os responsáveis destacaram a importância que as pessoas assumem no sucesso dos negócios.

 

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