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Estão abertas as candidaturas ao Selo da Diversidade

Estão abertas as candidaturas ao Selo da Diversidade, uma iniciativa da Carta Portuguesa para a Diversidade que visa promover a inclusão dentro das organizações. A iniciativa foi lançada esta segunda-feira, 22 de maio, durante o primeiro Fórum Nacional para a Diversidade, que decorreu no Grande Auditório do ISCTE-IUL, em Lisboa.

Para se candidatarem ao Selo, as organizações devem ser signatárias da Carta Portuguesa para a Diversidade, sendo as categorias o compromisso da gestão de topo e de outros níveis hierárquicos; a cultura organizacional; o recrutamento, seleção e práticas de gestão de pessoas; o desenvolvimento profissional e progressão na carreira; comunicação da carta e dos princípios; e condições e trabalho e acessibilidades. As candidaturas estão abertas até 22 de julho, sendo os vencedores conhecidos no próximo dia 10 de novembro.

O primeiro Fórum Nacional para a Diversidade contou com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, que se mostrou satisfeita com o aumento do número de signatários da Carta Portuguesa para a Diversidade, que passou de 75 há um ano para 133 em 2017, das quais “53% são empresas, o que é extraordinário”. A governante lembrou, ainda, que “há temas mais fáceis de tratar do que outros no que toca à diversidade”.

“Quando falamos de temas como as pessoas com origem racial étnica diferente, orientação sexual, diminui consideravelmente o interesse. Estes são temas também muito importantes e a carta não se tem limitado aos temas mais fáceis.”

“Não queremos ser todos iguais, onde queremos ter igualdade é nos direitos”, reforçou.

Catarina Marcelo sublinhou, também, as

“vantagens da diversidade para o negócio”, por criar “mais pontos de vista, maior capacidade de produzir e aumentar o público-alvo” e congratulou-se com o lançamento do Selo para a Diversidade, considerando que “vai ajudar a que as empresas possam ter algo na apresentação do seu site que demonstra claramente que são reconhecidas por esta mais-valia”.

João Tavares, diretor adjunto de recursos humanos da EDP e responsável pela área de Diversidade e Inclusão, foi um dos oradores do evento e falou sobre a estratégia do grupo na matéria, que deu os primeiros passos em 2013. Um dos desafios com que se depararam foi a igualdade de género, bem como a questão da idade dos trabalhadores. Para o responsável, é hoje preciso “repensar a forma como o trabalho se organiza”.

“O mercado de trabalho e a forma de trabalhar têm de ser repensados de acordo com a diversidade”

Sustentou, defendendo que também;

“há que fazer um trabalho muito específico com as equipas que integram” a diversidade, formando-as nesse sentido.

A inclusão das pessoas com deficiência foi apontada também como uma prioridade, sendo que atualmente, em 12 mil trabalhadores do grupo, apenas 1,6% tem uma deficiência.

Isabelle Pujol, antiga gestora para a Diversidade e Inclusão da BP e fundadora e da Pluribus Europe, consultora francesa na área da Diversidade e Inclusão, debruçou-se sobre as formas de exclusão inconscientes, explicando que “90% da exclusão é resultado da ignorância”.

“Não o fazemos de propósito, mas estamos mais confortáveis com pessoas que se parecem como nós. Ninguém está certo ou errado, é uma questão de perspetiva”, advogou.

A especialista sublinhou, ainda, que;

“a inclusão é uma escolha, é a vontade para perceber o valor e maximizar todas as facetas da diversidade”. “Não acontece naturalmente, tem de ser conscientemente e tem de ser tomada como uma ação.”

Solat Chaudhry, fundador e diretor do Centro Nacional para a Diversidade do Reino Unido, foi direto ao assunto e falou sobre o Brexit:

“Foi uma aberração e não sei porque aconteceu, penso que é mais por causa de burocracia do que de não gostarmos dos europeus”.

O especialista partilhou várias histórias de racismo que sofreu durante a sua vida, a primeira com apenas quatro anos, e defendeu a necessidade do envolvimento dos gestores de topo no tema da diversidade.

“O que acontece nos grupos de apoio às minorias é que as pessoas ligam-se e simpatizam uns com os outros, mas também tendem a ser negativas face a outras pessoas que não fazem parte desses grupos. Quem tem de interagir com esses grupos são as pessoas que têm o poder nas organizações e esses são os homens brancos. Os brancos têm a chave para a igualdade e o problema é que estão excluídos deste debate. São essas as pessoas que temos de trazer para a discussão”, frisou.

Chaudhry falou ainda da iniciativa Inverstors in Diversity, prémios que promovem as melhores práticas de diversidade entre as organizações britânicas e que o responsável quer trazer para Portugal, estando já em conversações com a comissão executiva da Carta Portuguesa para a Diversidade para o efeito.

Para saber mais do Fórum visite.

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