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Estudo da APG revela as características do GRH português

A chave para o sucesso dos Gestores de Recursos Humanos poderá estar, por ordem decrescente de importância, nas seguintes cinco características: capacidade de liderança, capacidade de comunicação, orientação para os resultados, ética profissional e planificação e organização. A conclusão é de um estudo desenvolvido, durante o primeiro semestre de 2017, pela Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas (APG) em parceria, inicialmente, com 21 instituições de Ensino Superior de todo o país e, posteriormente, por questões de gestão de exigências académicas, com investigadores de 19 instituições. Os principais objetivos do RH Pt. Survey residiam na construção e validação de uma ferramenta de auscultação dos responsáveis RH, que permitisse o mapeamento da função e dos seus profissionais em Portugal, e na criação e consolidação de uma network de investigação em Recursos Humanos.

De acordo com o estudo, apresentado publicamente no dia 6 de dezembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, nos últimos três anos, o número de profissionais de Recursos Humanos manteve-se em 45,4% das empresas que responderam ao inquérito, aumentou em 35,9% dos casos e diminuiu em 14,4% das entidades. No futuro, e em igual período temporal, 65,8% das organizações espera que o número de profissionais se mantenha, 28,9% aumente e 5,3% diminua.

A maioria das empresas participantes (84,6%) integra, na sua estrutura, a área funcional responsável pela GRH. A diferença reside na integração funcional dessa área. Há empresas que apresentam uma estrutura autónoma constituída por uma única unidade orgânica (50,6%), há as que apresentam uma estrutura integrada noutra área (30,6%) e as organizações que detêm uma estrutura autónoma constituída por uma área com subunidades (18,8%). Grosso modo, a função de Gestão de Recursos Humanos das empresas depende da gerência, da administração e dos seus parceiros.

Caracterização dos responsáveis pela Gestão de Recursos Humanos

Os responsáveis pela função GRH  têm, em 37% dos casos, entre 40 a 49 anos, mais de 49 anos no que respeita a 30,8% dos profissionais empregados nas organizações inquiridas, entre 30 a 39 em 26% dos casos e 6,2% dos responsáveis tem até 29 anos. Segundo o estudo, o cargo de Gestão de Recursos Humanos é detido, maioritariamente, por mulheres (68,7%).

No que concerne aos níveis de habilitação dos gestores do capital humano, verifica-se uma predominância do bacharelato/licenciatura (54,5%), seguida da pós-graduação e mestrado (36,1%). Há, ainda, 5,7% dos responsáveis de GRH que não apresentam formação superior. Em menor número, encontram-se os profissionais doutorados (3,7%).

O estudo conclui, também, que 43,2% dos responsáveis pela GRH detém um nível abaixo da alta direção. Na estrutura organizacional das empresas, 35,2% dos responsáveis é membro da alta direção e 21,6% posiciona-se dois ou mais níveis abaixo da alta direção.

E no que toca a remunerações? Alegrem-se os aspirantes a Gestores de Recursos Humanos.  Dos profissionais das empresas inquiridas, 36,1% auferem um rendimento anual entre 25.000€ a 40.000€. Seguem-se aqueles que auferem menos de 25.000€ (28,2%). Recebem um salário anual entre os 40.000€ e 60.000€ 22% dos profissionais das organizações participantes e 13,7% aufere mais de 60.000€.

A agenda dos GRH é pautada, tendencialmente, pela conciliação entre o trabalho e a família, pela inovação tecnológica, pelo desenvolvimento organizacional, pelo envelhecimento da força de trabalho e pela gestão de talentos, segundo avança o RH. Pt. Survey.

As formações profissionais

Investir na formação e continuar a procura de conhecimentos são duas das preocupações dos trabalhadores das empresas participantes na investigação. Segundo o estudo, nos últimos três anos, 84,5% dos profissionais de RH frequentou formações. Destacam-se, como principais áreas de formação, a Legislação do Trabalho (38,5%), os Temas especializados de GRH (36,6%), a Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho (28,9%) e as Tecnologias e Soluções aplicadas à GRH (20,3%).

 

As instituições de Ensino Superior assumem, por conseguinte, um importante papel na formação e atualização de diplomados competentes, na disponibilização de formação em temas de GRH para gestores não RH, na criação de parcerias de Investigação e Desenvolvimento (I&D) com as organizações e na investigação de tendências em GRH.

Desafios para o futuro

Para o futuro, e de acordo com as respostas obtidas no inquérito aplicado, a função RH enfrentará desafios como o estatuto da profissão (37 respostas), a gestão de talentos (34), seguida pelo desenvolvimento tecnológico (33), a formação, o desenvolvimento profissional e a certificação de competências (29), os novos modelos de gestão, organização e relações de trabalho (26), a proatividade, a monitorização de tendências e a gestão de mudança (25), a integração geracional e da diversidade cultural (22), o envelhecimento dos ativos e os processos de reconversão e qualificação (14), o bem-estar e o equilíbrio do binómio trabalho-família (8).

Sobre o RH. Pt. Survey

O inquérito, que originou o estudo, era constituído por quatro secções – Caracterização da Organização, Caracterização da Área RH, do Responsável de GRH e Opiniões –, e um total de 56 questões. Foram obtidas 418 respostas em 179 questionários completos.

 

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