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Há funções que vão mesmo desaparecer das organizações

A digitalização das empresas e de alguns dos seus processos é uma inevitabilidade. Quem o diz é a passagem do tempo. Mas se com a tecnologia há funções que irão desaparecer nos próximos cinco anos, é também graças a ela que os executivos apostam agora no capital humano das suas organizações. A conclusão é do mais recente estudo da Mercer.

A tão proclamada transformação digital está a obrigar as empresas a alterarem o seu desenho organizacional. De acordo com o Global Talent Trends 2018, desenvolvido pela consultora Mercer, 96% das organizações já planeia as modificações ao seu modelo estrutural, como consequência da extinção de funções desempenhadas pelos seus colaboradores. Para os próximos cinco anos, 53% dos líderes inquiridos prevê o desaparecimento de uma em cada cinco funções.

A afirmação da tecnologia nas empresas está, no entanto, a reforçar a importância do seu capital humano. Segundo Pedro Brito, Partner da Mercer | Jason Associates, os executivos “reconhecem que é a combinação e convivência entre competências humanas e tecnologia digital avançada que permitirá impulsionar os seus negócios”. A preparação para o futuro reside, conforme avança o relatório da consultora, na requalificação e desenvolvimento dos profissionais. Conscientes desta necessidade, 40% das empresas está a aumentar o acesso a formação on-line. O sócio da Mercer em Portugal aconselha os gestores a “concentrarem-se no sistema operativo humano para fortalecer as suas organizações”.

As cinco tendências da força de trabalho

Constatada a relevância das pessoas na operacionalização da tecnologia e no sucesso empresarial, o Global Talent Trends identificou as cinco novas tendências do mercado de trabalho: a mudança antecipada, trabalhar com propósito, flexibilidade permanente, plataforma para o talento e digitalização. Com a entrada da inteligência artificial e da automação nos ambientes organizacionais, que se refletirá na eliminação de funções e na reestruturação dos atuais modelos estruturais, os profissionais das empresas são os agentes da mudança. De acordo com Pedro Brito, “colocar a responsabilidade nas mãos dos colaboradores faz com que seja essencial desenvolver a capacitação e a prontidão de resposta antecipadamente”. Por isso, alerta, “é fundamental estar preparado para a substituição e requalificação ao nível do trabalho”.

Trabalhar numa empresa com um sentido de missão é outra das tendências da força de trabalho. Segundo o estudo, 75% dos colaboradores bem-sucedidos e que se sentem profissionalmente e pessoalmente realizados refere que a sua empresa apresenta um forte sentido de propósito. A nova proposta de valor das organizações inclui, também, fatores como a saúde, o bem-estar financeiro, a justiça dos pacotes de remuneração e as práticas de sucessão. “As organizações que ajudarem as suas pessoas a preocuparem-se menos com as suas necessidades básicas de segurança e investirem mais energia nas suas aspirações de carreira, serão recompensadas com uma força de trabalho que demonstra um maior orgulho, paixão e propósito”, explica o partner da consultora. Os trabalhadores gastam, em média, dez horas de trabalho por semana a pensar em questões financeiras. Contudo, apenas 26% das empresas desenvolve políticas internas para gerir o seu bem-estar económico.

O equilíbrio entre a carreira e a vida pessoal é uma das prioridades dos colaboradores, que se materializa com a flexibilidade associada ao trabalho. E já há defensores desta prática nas organizações, considerando os 80% de executivos que perceciona o trabalho flexível como parte essencial da sua proposta de valor. Ainda assim, 41% dos colaboradores teme que a adoção de um trabalho flexível impacte a sua progressão de carreira. A falta de oportunidades de teletrabalho afeta, de acordo o responsável, “mais as mulheres e os colaboradores mais seniores”.

A competição pelo talento, na nova era digital, vai aumentar, segundo 89% dos líderes inquiridos. Duas em cada cinco empresas planeia subcontratar mais talento em 2018 e 78% dos colaboradores pondera trabalhar como freelancer. Parte da solução para obter maior acesso ao talento, sugere o partner da Mercer, poderá residir num “ecossistema mais abrangente” e na adoção de uma “plataforma para o talento”. “As empresas precisam de distribuir talento com maior rapidez de forma a usufruir do potencial da sua força de trabalho”, esclarece Pedro Brito.

A estratégia das organizações deve ser “digital de dentro para fora”, o mesmo é dizer que aos profissionais devem ser facultadas as ferramentas necessárias para que desempenhem as suas funções. De acordo com o Global Talent Trends, 48% dos colaboradores diz ter as ferramentas digitais necessárias para cumprir as suas tarefas. Os recursos humanos são considerados por 70% dos líderes das organizações um parceiro de negócio na definição da estratégia para o futuro, existindo um alinhamento com os colaboradores.

O estudo da Mercer contou com a participação de mais de 7.600 executivos sénior, líderes de recursos humanos e colaboradores de 21 setores e 44 países.

 

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