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Jorge Jesus: “Mandar é fácil. Saber mandar é que é difícil”

O destino está traçado: Arábia Saudita. Orientar o Al-Hilal é o seu próximo desafio. Jorge Jesus é o treinador de quem todos falam, mas na sexta-feira foi ele quem falou, num evento promovido pelo International Club of Portugal, sobre liderança e multiculturalidade no futebol.

Ele já está fora, mas vai voltar. A garantia foi dada pelo treinador Jorge Jesus. Antes da sua partida para a Arábia Saudita, o agora técnico do Al-Hilal foi orador no almoço promovido pelo International Club of Portugal, na sexta-feira, em Lisboa, e falou sobre liderança e multiculturalidade.

Aos 63 anos, o ex-treinador do Sporting Clube de Portugal prepara-se para viver a sua primeira experiência internacional. Mas já em Portugal liderou equipas com jogadores de diferentes nacionalidades, culturas e religiões. “Temos de nos saber adaptar”, começou por dizer Jesus, recorrendo ao episódio que viveu nos “leões” com o argelino Slimani. “Tive de retirar rendimento de um jogador que é muçulmano, reza cinco vezes por dia e, no Ramadão, só se alimenta uma vez, à noite. O Slimani esteve um mês sem se alimentar em condições para um futebolista e desmaiou três vezes nos treinos. A época que fez é a prova de que soubemos liderar nessa situação”, contou.

Não há liderança sem o respeito dos atletas, equipa técnica e direção – é Jorge Jesus quem o diz. “Só és líder se quem trabalha contigo te seguir e reconhecer o teu trabalho. É preciso liderar pessoas e querer resultados, mas o meu produto final são os jogadores”, afirmou.

Para o treinador português, “mandar é fácil. Saber mandar é que é difícil”. “Os líderes são potencializáveis, mas têm de nascer com uma característica especial no ADN”, referiu, destacando a “capacidade de trabalho e de inovação” que caracteriza os treinadores portugueses, reconhecidos internacionalmente.

E agora que vai comandar os sauditas do Al-Hilal a comunicação será um obstáculo? “A linguagem do futebol é universal e a minha comunicação baseia-se nos gestos”, reconheceu Jesus, bem-disposto. No entanto, exigiu à direção do clube um tradutor árabe, para que a intenção e a emoção das suas palavras não se perdesse. “Se fosse um tradutor que falasse em inglês não conseguiria transmitir a paixão que se consegue através do árabe. Disse ao presidente do Al-Hilal que não queria um tradutor que não falasse árabe”, revelou.

No futebol, como em qualquer outra área de negócios, também a “organização e a disciplina são fundamentais para atingir objetivos”, sublinhou Jorge Jesus que, no almoço-debate e perante as perguntas que lhe foram dirigidas, revelou que a cláusula de confidencialidade a que está submetido, depois de ter rescindido o seu contrato com o Sporting, por mútuo acordo, não lhe permite comentar a situação do clube leonino. Ainda assim argumentou que “não há um bom presidente sem um bom treinador e não há um bom treinador sem bons jogadores”.

O técnico recordou um dos ensinamentos do professor Manuel Sérgio, que o ouvia e com quem aprendeu ao longo da sua carreira. “Antes de ser treinador, sou ser humano, tal como os meus jogadores. O professor Manuel Sérgio ensinou-me a, antes de olhar para os jogadores, olhar para as pessoas”, disse visivelmente emocionado.

No momento da despedida, Jorge Jesus foi surpreendido pela fadista Fábia Rebordão que interpretou o tema “Falem agora”. “É a letra ideal para o atual momento da minha carreira profissional”, confessou. E assim, a cantar o fado, se despediu de Portugal.

Não ouço essas conversas
Isso é banal
Por serem tão perversas
Fazem-me mal

Falem agora
Que eu estou por fora, e ate já
Não se incomodem deixem lá
Que eu já estou fora

Conversas de café
Não quero ter
Falar de outros não é
Só mau dizer

Quem diz que viu, quem mente
Essas coisinhas
Nas costas de outra gente
Eu vejo as minhas

Um caso mal contado
E outros que tais
Desligo passo ao lado
Leio jornais

 

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Mónica Felicidade

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