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A liderança sénior encontra-se preparada para implementar uma estratégia digital de sucesso na empresa?

 

Autor: Nuno Freitas – Principal – Boyden Global Executive Search

 

O desafio de Gerir a transformação digital

De acordo com um estudo realizado recentemente pelo MIT/Deloitte, onde foram inquiridos mais de 1000 CEO´s de 131 países e de 27 indústrias distintas, 90% dos executivos afirmam que o seu negócio está a ser afetado pela “revolução digital”, ou que a sua organização, para se manter competitiva, terá necessariamente de reinventar a sua estratégia digital. Anteriormente, num estudo de 2015 realizado pela PWC junto de 2000 executivos, 73% dos entrevistados referiam que os CEO´s das suas empresas eram os principais impulsionadores para o desenvolvimento de ferramentas digitais, inclusive, 15% dos seus investimentos estavam destinados à transformação digital.

A primeira reflexão que podemos fazer é que existe uma tomada de consciência por parte das organizações na necessidade de ter uma estratégia digital, seja por questões de segurança, seja para melhorar vendas, seja para melhorar processos (eficiência e rentabilidade), ou até mesmo para se aproximarem, conhecerem e reterem os seus atuais clientes. Contudo, a implementação de uma estratégia digital poderá ser um processo doloroso, pois deverá ser rápido, sob pena de perder uma fatia do seu negócio para um concorrente local ou até mesmo localizado numa outra geografia. Sobretudo, quando a estratégia das organizações tem por base modelos de negócio antigos. Vejamos os exemplos do retalho ou até mesmo da banca, em que a presença física/territorial era importante para estar próximo dos seus clientes e promover vendas, hoje em dia é possível efetuar compras ou transações bancárias a partir de um smartphone com acesso à internet em qualquer parte do mundo.

Outro especto que gera ansiedade no processo de transformação digital está relacionado com o investimento financeiro necessário. Num contexto em que as organizações vivem em constante pressão para apresentarem elevados níveis de rentabilidade, o investimento em tecnologia, infraestruturas, recursos humanos, entre outros, poderá afetar os resultados de curto prazo. Para além da dificuldade que as empresas têm em medir o retorno destes investimentos, ou seja, também os indicadores de desempenho (KPI´s) terão de ser alvo de uma reflexão. A titulo de partilha, num processo desenvolvido recentemente pela Boyden, para uma posição de Diretor de E-Commerce, a principal preocupação dos candidatos era se empresa para a qual estávamos a selecionar estaria disposta a efetuar o investimento necessário por forma a que as ambições digitais da organização se pudessem materializar.

A construção desta cultura digital promove a convergência entre o mundo externo (mercado) com o mundo interno (organização), envolvendo todos os colaboradores sem exceção, principalmente a gestão de topo. Se as direções funcionavam no passado em silos hoje têm necessariamente de comunicar entre si como vasos circulantes, contemplando sempre a estratégia digital e o impacto que vai ter no seu desempenho. Para que tal aconteça, também os acionistas, a par da gestão de topo têm de assumir um papel protagonista como agentes da revolução digital, sobretudo encorajando a formação digital dos seus colaboradores, diminuindo o gap entre a experiência e a compreensão digital. Embora a diferença geracional na utilização de ferramentas digitais ter vindo a diminuir, executivos conservadores são pouco permeáveis à introdução de competências digitais. É importante que estes líderes reconheçam que a sua experiência vai ter um papel fundamental no desenho e execução da estratégia digital, mas que reconheçam também que a transformação digital desenvolveu soluções para problemas que anteriormente não existiam e os quais desconhecem.

Relativamente ao mercado português, cremos que a generalidade das empresas, sobretudo os grandes grupos económicos, reconhecem como fundamental a incorporação de uma estratégia digital como fator diferenciador e de competitividade. Para além do papel que as redes sociais assumem ao nível de notoriedade, reputação, interatividade com os seus clientes, colaboradores e candidatos o acesso a Apps e plataformas internacionais como Uber, airbnb, Amazon, entre outros, “obrigaram” as empresas que atuam no nosso mercado a refletir e em alguns casos a ajustar o seu modelo de negócio e, consequentemente, adotar uma estratégia digital adequada. É importante referir também o excelente contributo para esta mudança de pensamento, sobretudo entre as organizações mais tradicionais, de conhecidos casos de sucesso de empresas nacionais como a Farfetch ou a Uniplaces e de eventos como o Web Summit e o Business Analytics do SAS.

No que diz respeito ao recrutamento de executivos, tendo em conta o numero significativo de posições desenvolvidas nos últimos dois anos pelo escritório de Lisboa da Boyden para funções relacionadas com a área digital, onde destacaria as posições de Digital Transformation Director e E-Commerce Director, e pelo facto destes projetos serem transversais a diferentes setores de atividade, diria que as empresas em Portugal estão a adotar um conjunto de medidas no sentido de reforçar as suas competências digitais, não só com a tecnologia, mas também com talento, incorporando assim boas práticas e funções que até há pouco tempo não constavam nos organogramas.

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