Pessoas

Luís Sottomayor – Explica como nasceu a primeira comunidade de atração de talentos em Portugal

Luís Sottomayor – Community Diretor da Talent Portugal – Responde a várias questões onde explica como surgiu, se mantem e irá crescer a Comunidade de Atração de Talento em Portugal.

Como nasceram? Quem está na origem do projeto?

O projeto nasce da identificação de um “paradoxo de recursos humanos”: de um lado, empresas globais fortemente recrutadoras de profissionais qualificados em tecnologias de informação, engenharia, finanças, idiomas, etc., muitas vezes com dificuldade em contratar, e de outro a existência de uma geração qualificada, como nunca antes houve em Portugal, mas com dificuldade em encontrar emprego no nosso país, necessitando, muitas vezes, de emigrar.

Efetivamente, fruto da qualificação dos nossos recursos humanos e da qualidade de serviço prestado, conforme foi identificado no recente estudo da Talent Portugal, têm-se instalado em Portugal nos últimos anos várias operações globais de serviços (BNP, Solvay, Teleperfomance, Sitel, Cisco, Fujitsu, Siemens, Natixis…), algumas na ordem de milhares de postos de trabalho. Também têm surgido empresas tecnológicas, nomeadamente start-ups nacionais em IT (Farfetch, Blip, Outsystems, Uniplaces, Feedzai…), com crescimentos exponenciais, mas não acompanhados pelo aumento da oferta de recursos humanos. Finalmente, surge um fenómeno novo em empresas industriais, que acrescentam à produção centros globais de engenharia, e agora também, serviços partilhados em finanças e em IT (Bosch, Faurecia, Kirchhoff, HB Fuller, PSA, Linde, Infineon…).

A Talent Portugal surge de um conjunto de iniciativas realizadas pelo TICE (Pólo das Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica) e pela associação Eurocloud Portugal, que, desde 2012, têm organizado encontros e estudos, no sentido de procurar soluções em recursos humanos, infraestruturas e incentivos para estas empresas. Estas iniciativas pioneiras têm juntado várias entidades do setor, nomeadamente, autarquias, universidades, associações, empresas de real estate, advogados, IEFP, CCDR’s, etc.

Qual o objetivo? Como se financiam?

Neste enquadramento, a Talent Portugal surge como a “nova comunidade de talento, ponto de encontro entre candidatos, empresas e instituições, localizada na costa oeste da Europa”.

Detém o site talentportugal.com que, com o lema “All about top hiring companies!”, disponibiliza uma plataforma completamente inovadora em Portugal, apresentando numa “company page” toda a informação que um candidato deseja conhecer sobre uma empresa e que com muita dificuldade conseguiria encontrar: localizações, links da empresa, vídeos, fotos, notícias, e naturalmente, ofertas de emprego).

Efetivamente, verificamos que, se algumas empresas têm muita visibilidade, muitas outras são quase completamente desconhecidas pelos candidatos, media e população em geral.

O site inclui também uma área de “partners”, atualmente em lançamento, onde será disponibilizada informação prática dos membros da comunidade, como universidades, associações de estudantes, parques tecnológicos, agências de investimento, real estate, etc.

É uma comunidade que se apoia no “digital” (site e redes sociais), mas não dispensa o encontro “físico”. Assim, já foi realizado em outubro um think tank entre empresas, universidades e estudantes, na linha de eventos anteriores e que tanto agradam aos participantes pela possibilidade de discutir temas atuais e conhecer pessoalmente os players do setor. Também foi realizada a “International Job Fair” em novembro, com o apoio da Câmara Municipal do Porto, que foi um grande sucesso, pelas empresas presentes e pelo grande número de candidatos inscritos, sendo cerca de 30% de estrangeiros.

Damos muita importância à relação informal entre os membros da comunidade com troca eficaz de contactos, sempre com o objetivo de aumentar a empregabilidade do setor, favorecendo o crescimento do talento nas empresas e a genuína felicidade dos colaboradores.

O conceito é em comunidade, mas com um modelo de negócio que permite a sustentabilidade e o crescimento das diversas iniciativas. Atualmente, existe lugar a pagamento de um fee trimestral para as empresas estarem presentes na plataforma e participarem nos eventos. Para os candidatos é totalmente gratuito.

Como se dão a conhecer fora de Portugal?

Atualmente, a comunicação para o exterior é realizada através dos meios digitais e será sempre a base principal de divulgação internacional. Contudo, está prevista no futuro a realização de missões internacionais de divulgação de Portugal enquanto destino de talento e empresas. Estamos, neste momento, em negociações com instituições parceiras neste sentido.

Um dos fatores inovadores da plataforma é que toda a comunicação é em língua inglesa, mas também em português, quando se justifica. O facto de serem empresas globais, de origem internacional ou nacional, implica que o inglês seja a língua universal. Assim atinge-se todo o público alvo de talento e empresas.

Que primeiros resultados podem dar?

No âmbito do lançamento foram realizados dois estudos. O primeiro, com uma amostra de 13 grandes empresas, revelou que no seu conjunto empregaram 2.900 trabalhadores nos últimos dois anos e pretendem empregar mais 3.700. Estes números extrapolados para a totalidade do setor evidenciam bem o seu potencial empregador.

Também o número de inscritos na International Job Fair, logo na sua primeira edição, atingiu mais de nove centenas.

Existe uma grande apetência pelo conceito de comunidade e de comunicação digital e física entre os membros da comunidade, o que prova a eficácia do conceito.

Quais as nacionalidades que escolhem mais vir para Portugal?

O que mais nos impressionou no resultado do inquérito realizado prende-se com o facto de, numa amostra de 250 estrangeiros, registarmos 67 nacionalidades. Neste caso, lideram os brasileiros, seguidos dos polacos, espanhóis, italianos, franceses, romenos, indianos, alemães, venezuelanos e iranianos. Mas também temos representantes do Azerbaijão, Vietname, Taiwan e até das Ilhas Fiji.

Para que setores e com que funções?

Atualmente, os setores target são os das tecnologias de Informação, centros de engenharia, shared service centers e centros de customer service. Contudo, verificámos, entretanto, que outras áreas, como a indústria, retalho, comércio ou turismo revelam necessidades de talento semelhantes, pelo que é nosso objetivo alargar o modelo de comunidade a todos os restantes setores.

As funções são, na sua maioria, técnicas qualificadas e de suporte, mas pela dimensão das operações alargam-se a muitos outras funções.

Que iniciativas tem previstas para os próximos meses?

Iremos continuar com o crescimento contínuo de empresas presentes na plataforma.

Privilegiamos o Facebook e Linkedin – enquanto canal de divulgação de informação das empresas e dos parceiros –, por isso aconselhamos vivamente que nos sigam nas redes sociais, pois obterão informação muito atualizada e genuína.

Identificámos no inquérito que a maior aposta destas empresas para 2017 é o Employer Branding, o que aliás se alinha com toda a estratégia da Talent Portugal. Assim, vamos realizar dois grandes eventos sobre este tema com especialistas do setor (media, publicidade, cultura organizacional, novos escritórios, redes sociais e consultoria). A primeira sessão será na Porto Business School, a 15 de fevereiro, e a segunda na ISCTE Business School, a 14 de março. Será dado um especial enfoque ao networking entre participantes: empresas, gabinetes de empregabilidade das universidades e associações de estudantes e de profissionais.

Para mais informações aqui.

 

Outras notícias que podem ser do seu interesse:

Previous post

Descubra os HR Trends 2017 com a Abylos dia 17 de fevereiro

Next post

ARTIGO: Intraempreendedorismo, porquê a sua importância atual?

Vanessa Henriques

Vanessa Henriques

Diretora Executiva da RHmagazine

1 Comment

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *