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Maria Glória Ribeiro, managing Partner da Amrop “O sucesso é o ato de atingir a felicidade, a nossa própria felicidade, individual, autêntica, única”

Eu Sou o Meu Maior Projecto” é o novo livro de Maria Glória Ribeiro, managing partner da Amrop. Neste livro poderá encontrar várias maneiras de dar o impulso que a sua carreira precisa. O Inforh entrevistou  a autora deste novo livro, que nos deu algumas dicas de como alcançar o sucesso.

Qual a sua motivação para escrever este livro?
Devido às funções que desempenho, chegam até mim uma quantidade substancial de informação e solicitações de toda a ordem que me seria impossível seguir pessoalmente. No entanto, destes múltiplos contactos que recebo, alguns despertam-me interesse por alguma particularidade e têm seguimento através de um contacto directo, uma reunião.
Foi o que aconteceu quando a editora Sofia Monteiro me abordou e me despertou para o desafio de escrever um livro sobre a realização pessoal alicerçada na vida profissional, tendo por base, é claro, a minha experiência de largos anos no mundo empresarial.

Qual o segredo de uma carreira de sucesso?
O sucesso é o ato de atingir a felicidade, a nossa própria felicidade, individual, autêntica, única, porque cada um de nós é diferenciado. Quando conseguimos ter consciência do poder que realmente detemos no domínio da nossa própria existência, damos um importante passo na construção da nossa vida. Quando aproveitamos recursos e temos vontade, podemos criar o nosso próprio sucesso. Mas, como sempre acontece na execução de qualquer tarefa, há que fazer um plano de acção. Primeiro que tudo, temos de saber para onde queremos ir. O que queremos atingir. Que meios temos ao nosso alcance e como poderemos melhorar.

Quando deve um trabalhador dar uma reviravolta na sua carreira?
Na minha opinião, nunca é tarde para tentarmos melhorar e encontrar o nosso caminho. E não esqueçamos que cada um tem o seu próprio caminho, único, individual e em conformidade com toda a complexidade dos vários elementos que nos tornam uma pessoa única. Tudo poderá ser melhorado em nós próprios. Conforme o nosso próprio caso, temos de tentar encontrar o caminho certo. E podemos ter de mudar para sectores que estão em fase económica mais favorável, empreender directamente na construção de uma nova actividade ou procurar formação complementar adequada à nova fase da vida e aos novos objectivos.

O que fazer quando um colaborador estagna na carreira?
Seja qual for a fase em que nos encontramos e o percurso que já percorremos, tudo pode valer a pena corrigir e optimizar. As recentes teorias de aprendizagem assentam sistematicamente em conceitos de processo contínuo de assimilação e consolidação de conhecimentos.
Nesta era de mudanças tecnológicas, civilizacionais e de conhecimento, não há mais espaço para podermos imaginar parar o processo de aprendizagem. A mudança é fluida, imiscui‑se e embrenha‑se em todas as áreas da vida e do trabalho. É contínua, criando fluidez entre segmentos de conhecimentos. Todos nós podemos e devemos tentar evoluir. Numa fase de mudanças económicas, organizacionais e civilizacionais tão profundas, nada nos resta senão tentar uma nova adaptação a este novo mundo que se nos depara.

Acha que os recursos humanos podem ter um papel preponderante nesta questão?
Um bom business partner ou gestor de pessoas deverá estar atento e ajudar as pessoas a sentirem-se bem na posição que desempenham no seio das organizações mas o papel mais preponderante para o sucesso de cada um será sempre desempenhado pelo desenvolvimento e realização pessoal.
A realização pessoal é isso mesmo: pessoal. Individual, não comparável, não replicável, e nunca faz parte de qualquer ranking ou target. Nunca se poderá dizer que este conseguiu melhor realização do que o outro, ou que este tem um tipo de realização comparável com aquele grupo de referência. É um assunto de avaliação pessoal. Tudo fica medido e orientado por cada um de nós.

Que qualidades deve ter um colaborador para uma carreira de sucesso?
São muito mais frequentes as características de perfil capazes de serem melhoradas do que as que dificilmente se alteram ou ultrapassam. E há que fazer esse trabalho: desenvolver e melhorar as nossas características de perfil, os nossos talentos, para que nos possam ser úteis, o mais possível. Há uma correlação, quase sempre directa, entre talento e capacidade de concretização de determinada tarefa ou empreendimento.
Sendo o talento um dom (uma habilidade) para alguma actividade intelectual, artística, física ou sensorial, é com certeza também objecto de possibilidade de desenvolvimento. Se desenvolvido de forma adequada, na correlação da dificuldade que nos propomos atingir, então estaremos muito mais preparados para atingir determinado resultado.

Como é que devemos lidar com os defeitos e tirar partido dos mesmos?
A auto‑análise é primeiro exercício de mudança e propósito de melhoria. Sem nos conhecermos, não conseguiremos alterar nada de nós próprios. Não identificaremos sequer o que nos falta para alcançar um objectivo, nem tão pouco teremos verdadeiramente consciência do nosso eu.
Se formos capazes de reconhecer o efeito que causamos nos outros, isto é, se identificarmos e descodificarmos correctamente o feedback que recebemos da imagem dos nossos comportamentos e atitudes, poderemos compreender melhor o que somos como seres sociais. É como se nos projectássemos num espelho e assim nos pudéssemos ver com precisão.

Que conselhos dá para quem está a começar a sua carreira?
Para os que estão nesta primeira etapa da carreira, a minha recomendação sincera é que não a desperdicem. Mesmo nas circunstâncias em que o nosso primeiro acto profissional não é o que esperávamos, podemos tirar partido dessa importante fase da nossa vida. Se a envolvente económica o permitir, deveremos ser criteriosos nas opções que tivermos. Não devemos pôr em cima da mesa factores exógenos à nossa evolução, como por exemplo a localização do local de trabalho, a compensação salarial, a segurança de empregabilidade ou outras do mesmo género.
O que nos deve mover e condicionar as nossas escolhas nesta primeira fase são os factores influenciadores da nossa evolução. Em vez de conforto, remuneração, segurança, a opção deve recair em empresas‑escola. Isto é, empresas fortemente formativas e estruturantes, ainda que isso signifique menor salário, mais horas de trabalho ou, por exemplo, maior desconforto na localização.

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