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Migrantes qualificados ajudam a atenuar pressões no mercado de trabalho a nível global

A economia global assistiu a uma redução das pressões sobre o mercado de trabalho desde 2016, no seguimento do crescente número de migrantes que oferecem mão-de-obra qualificada em vários países. No entanto, e apesar desta ligeira melhoria, a escassez de competências mantém-se, numa altura em que as empresas continuam à procura de profissionais qualificados numa série de cargos e de setores especializados.

Estas foram as principais conclusões da 6.ª edição do Hays Global Skills Index, um estudo publicado pela Hays realizado em colaboração com o Oxford Economics. O estudo “Regional Dynamics of the Global Labour Market: Skills in Demand and Tomorrow’s Workforce” foi elaborado com base numa análise dos mercados de trabalho em 33 economias globais, incluindo Portugal, onde foi analisada a dinâmica de cada mercado específico.

O fluxo de migrantes qualificados contribuiu para uma ligeira redução na média do Índice Geral deste ano. O resultado – em 33 países – baixou marginalmente de 5.4 para 5.3 – registando a primeira redução anual no Índice Geral desde a sua criação, em 2012. Em Portugal, a redução na média do Índice Geral foi um pouco mais expressiva, baixando de 5.7 em 2016 para 5.4 em 2017.

Os dados das Nações Unidas indicam que 244 milhões de pessoas, ou 3,3% da população mundial, vive atualmente num país que não é o seu país de origem. Os dados do Hays Global Skills Index mostram ainda que na União Europeia, em 2016, a proporção de pessoas nascidas noutros países e com formação superior era de 29% – uma subida de três pontos percentuais desde 2011.

A digitalização tem também um papel importante no combate à falta de competências, uma vez que permite que estes migrantes especializados trabalhem com maior flexibilidade, mais eficientemente e remotamente. Há uma procura crescente de novos cargos neste cenário em constante evolução. O fluxo de trabalhadores parece estar a contrariar o problema que muitos países vivem atualmente: o envelhecimento da população. Com exceção da Índia, a população ativa em todos os países do Índice(*) deverá descer em cerca de 1 milhão de pessoas em 2017, à medida que a sua população envelhece. Todavia, dado o crescimento dos ritmos de participação em 25 dos países do Índice, e o aumento do número de migrantes e da sua especialização face ao passado, a oferta de trabalhadores irá aumentar em 1,1 milhões.

A proliferação de conectividade e de novas tecnologias permite que cada vez mais trabalhadores adotem padrões de trabalho flexível. Nos EUA, na última década, o número de trabalhos de freelance, com contrato a termo certo, temporário ou esporádico aumentou 5% e representa agora 15% no mercado de trabalho. Na Europa, o trabalho em freelance cresceu 4 vezes mais depressa que a taxa de emprego nos últimos 5 anos. Na região da Ásia Pacífico, Singapura e Austrália estão entre os principais empregadores em regime de freelance. O total de ordenados em regime de freelance nas Filipinas, Bangladesh, Índia e Paquistão é dos mais elevados do mundo.

Numa altura em que a oferta de trabalhadores especializados se mantém estável, as empresas terão tempo para se focarem mais na adaptação da sua força de trabalho a um cenário marcado por um panorama tecnológico em rápido desenvolvimento. O aumento da tecnologia e da automatização no local de trabalho irá fomentar uma maior comunicação e mais flexibilidade na forma como se trabalha, bem como o aumento de procura de novos empregos, mas irá ainda substituir algumas das funções atuais. Os empregadores deverão dar prioridade à formação e à educação para se assegurarem que os seus colaboradores têm as competências necessárias para enfrentarem as alterações tecnológicas e para garantirem que as suas competências se mantêm relevantes.

Este Índice revela ainda que a suavização das pressões salariais nos mercados europeus e do Médio Oriente significa que as empresas poderão atrair e reter talentos de topo mais facilmente, quando comparado com o ano passado. Este cenário deverá ser refletido no aumento de programas de formação e desenvolvimento de forma a assegurar o pipeline de talentos para o futuro.

Em jeito de comentário acerca das conclusões deste Índice, Alistair Cox, Chief Executive da Hays plc, explica:

“Depois de um período de incerteza global que teve um claro impacto no Índice do ano passado, identificamos sinais de um cenário mais positivo para as empresas em todo o mundo. Encontramos razões para estarmos otimistas este ano, já que o nosso relatório aponta para um ligeiro atenuamento em alguns dos principais elementos de pressão que influenciavam os mercados de trabalho. No entanto, e mesmo com este desagravamento das pressões, a falta de competências continua a ser um problema persistente que requer a máxima atenção das empresas, governos e instituições de ensino”.

“As tecnologias e a digitalização tiveram ainda uma influência significativa nos trabalhadores, e impuseram uma crescente tendência face a uma economia mais digital. As empresas devem adotar a tecnologia para colherem os benefícios e ultrapassarem o medo de mudanças fundamentais, de forma a assegurarem a sua própria competitividade – a inovação constante é um fator essencial de sucesso”.

“Com a esperada diminuição da população ativa em todos os países, em cerca de 1 milhão – com a tendência de envelhecimento populacional – é vital que os governos aproveitem a migração qualificada. A prosperidade e o crescimento dependem das pessoas, e sem as competências certas, as empresas e consequentemente as sociedades podem ficar mais debilitadas e não florescer – a migração especializada apresenta-se como uma resposta importante e necessária a esta lacuna global de competências”.

Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal, acrescenta:

“Após vários anos de instabilidade, a economia portuguesa parece ter finalmente entrado num ciclo positivo e isto tem tido reflexos em inúmeras oportunidades de crescimento para o mercado de trabalho. Portugal tem provado ser um destino de eleição para investimento estrangeiro e para a abertura de vários centros de serviços partilhados o que tem colocado alguma pressão salarial nas funções ou competências altamente procuradas. A escassez de talento continua a ser um grande problema para Portugal mas está a começar a ser respondida através do sistema educacional que começa a fazer um esforço para adaptar a sua oferta académica às necessidades do mercado de trabalho”.

*Países incluídos; Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Colômbia, Chile, China, República Checa, Dinamarca, França, Alemanha, Hong Kong, Hungria, Índia, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Malásia, México, Holanda, Nova Zelândia, Polónia, Portugal, Rússia, Singapura, Espanha, Suécia, Suíça, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e EUA.

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