Mais do que nunca, temos assistido a uma autêntica revolução tecnológica, a uma velocidade nunca antes vista. Palavras como cloud, virtualização de sistemas, inteligência artificial ou robotização são cada vez mais parte da norma e não é difícil ouvi-las em conversas ou vê-las nos títulos dos jornais.

Isto remete-nos para uma importante questão, quase filosófica: serão as máquinas capazes de substituir os humanos nas tarefas do dia-a-dia? A resposta mais pragmática é sim. No entanto, ainda que a resposta pareça alarmante, os sinais da dependência humana continuarão a ser por muitos anos um elemento decisivo no mundo do trabalho.

É, por isso, importante analisar as enormes transformações à luz de novos conceitos, tendo em conta a relação de forças existentes num mundo cada vez mais complexo e ambíguo. Falamos do conceito VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity). Ainda que a expressão tenha surgido em plena década de 90, tem vindo a ganhar uma crescente importância no mundo da liderança estratégica no seio de diversas organizações, representada pelos fatores:

V olatilidade = relacionada com a natureza e a dinâmica das mudanças, e com a velocidade a que essas mudanças ocorrem;

U ncertainty (Incerteza) = associada à falta de antecipação, à surpresa e à falta de compreensão sobre como os eventos ocorrem;

C omplexidade = relacionada a múltiplas forças, do caos e ruído em torno das organizações;

A mbiguidade = associada à ausência de relação direta entre causa e efeito, o não entendimento das situações.

Estes quatro fatores são facilmente identificáveis no contexto atual das organizações, podendo ter um importante impacto no futuro e no aumento da sua capacidade de adaptação e sustentabilidade.

Face à complexidade do mercado em que as empresas estão incluídas, frequentemente surge a questão de qual a melhor estratégia a adotar quando pressionadas pelas margens baixas, pela escassez de talento e pelo cenário de uma economia instável. Mesmo em países com uma taxa de desemprego mais elevada, a questão da carência de talento tem também vindo a ser discutida.

A pressão para os resultados é o espelho da importância cada vez maior do potencial humano. Ter a pessoa certa no local certo e no tempo certo é sem dúvida de enorme importância para as empresas que querem ser capazes de atingir os seus objetivos. Vivemos uma nova Era, a Era do Talento. Os colaboradores sabem que a sua capacidade de adaptação, associada a um invulgar sentido de inovação, permitem que as organizações se adaptem a um mercado cada vez mais complexo.

Atrair e reter talento assume um papel fulcral, não só no desenvolvimento das organizações, mas também no crescimento das economias. Neste sentido, os fluxos migratórios poderão ter um importante impacto na redução da escassez de talento, trazendo simultaneamente novas competências.

Nos dias de hoje em que a batalha pelo talento está a aumentar, há um claro desequilíbrio entre as necessidades e aquilo que o mercado oferece. Pode até parecer um paradoxo, quando em todo o mundo se discute o aumento do desemprego, mas a verdade é que procura e oferta podem coexistir mesmo em contextos com elevado desemprego. Por talento não falo apenas de pessoas, mas de competências, comportamentos e capacidade de adaptação, o chamado fit organizacional.

Os avanços tecnológicos impactam a organização do trabalho, com o surgimento de novos modelos, como o tele-trabalho e a virtualização do espaço. Esta realidade traz novos desafios e conceitos à forma de atuação, tendo de ser capaz de responder através do desenho e implementação de novos modelos de trabalho. Cada vez mais é importante também comunicar a empresa e colocar as pessoas no centro da atração de novos recursos. Quem procura trabalho, principalmente os millennials, procura empresas éticas e com quem se possa identificar. Por isso mesmo, os Recursos Humanos têm de ser o elemento preponderante entre a procura e a entrega de pessoas qualificadas.

A resposta adequada a um mundo cada vez mais complexo passa pelo que chamamos a Era Humana. Uma nova fase que será a realidade para as próximas gerações no mercado de trabalho, uma Era onde é cada vez mais essencial uma capacidade de adaptação constante para progredir.

Ainda que a evolução tecnológica introduza mudanças nos modelos de trabalho, não podemos, nem devemos, deixar de lado a importância da pessoa. Ao longo das décadas a capacidade humana esteve sempre à frente da tecnologia e a inovação só foi possível porque esteve ligada às pessoas. Apesar da evolução tecnológica, serão as pessoas e o seu talento o fator determinante para o sucesso das organizações.

Por Pedro Amorim, Managing Director da Experis Portugal

 

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