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Paulo Chaves, Presidente da PEMAS – A importância do setor aeronáutico para a economia nacional

Setor aeronáutico – um setor de alto valor acrescentado, em grande crescimento e totalmente internacionalizado

Paulo Chaves, responsável pela linha de negócio da aeronáutica no ISQ, foi eleito Presidente do Conselho de Administração da Associação Portuguesa da Indústria Aeronáutica (PEMAS), em representação do ISQ, para os anos de 2017 e 2018, responde ao infoRH a algumas perguntas sobre o setor e o futuro do mesmo. 

O ISQ está presente no setor aeronáutico há pelo menos 20 anos. Qual tem sido a vossa estratégia para este setor?
Nos últimos anos houve um reposicionamento do ISQ face a este setor. Olha-se para este setor de uma forma mais integrada, quer quanto à variedade de atores envolvidos (por exemplo: dimensão e necessidades específicas dos clientes, mercado nacional ou internacional, etc), quanto  ao ciclo de vida de produtos e serviços dos  clientes (por exemplo: colaboração em projetos de I&D  ou venda de serviços com níveis de maturidade diversos), procurando melhorar a percepção da interação entre os atores, da evolução do mercado e das oportunidades  existentes. Hoje, para além de ter uma ideia bastante mais precisa das necessidades dos diferentes tipos de clientes, o ISQ  procura maximizar a sua presença no ciclo de vida de produtos e serviços , com o maior número possível de clientes. Isto quer dizer, começar a interagir mais cedo, em projetos de I&D dos quais resultam serviços inovadores que vão permitir alimentar e fortalecer  uma relação comercial com esses mesmos clientes.

Como surgiu o desafio de assumir a Presidência da PEMAS?
O desafio surgiu naturalmente, tendo em conta que tinha participado nos dois Conselhos de Administração anteriores, ao longo de 4 anos. Era necessário dar continuidade ao trabalho desenvolvido e os meus colegas acharam que eu tinha as características adequadas para suceder ao anterior Presidente, e fundador da PEMAS,  José Rui Marcelino. Foi assim lançado o desafio de preparar uma lista, que foi eleita pelos associados.

Conte-nos o que é a PEMAS e o seu percurso.
A PEMAS – Associação Portuguesa da Industria Aeronáutica, foi criada em 2006, por um conjunto de empresas e entidades ligadas ao Sistema Cientifico e Tecnológico.  Desde então,  tem estado envolvida em varias iniciativas com a nossa industria, academia e instituições de interface.  Um  exemplo recente é o consorcio PASSARO,   inicialmente acompanhado e desenvolvido pela PEMAS, que reuniu um conjunto importante de entidades portuguesas  e que assumiram a responsabilidade de desenvolver este projeto. Este consorcio é hoje Core Partner da Airbus Defence and Space num  projeto europeu Cleansky II, de desenvolvimento de tecnologia. Por outro lado, a PEMAS tem tido um papel importante na procura de uma maior integração com as associações das industrias de defesa (DANOTEC) e espaço (PROESPAÇO), de forma a potenciar a participação cruzada nos diferentes setores, dos respetivos associados uma vez que a maioria deles dispõe de competências e tecnologias de “duplo uso”  .

Quais são os objetivos desta associação?
A associação tem como principais objetivos: a promoção da industria aeronáutica, enquanto instrumento de desenvolvimento industrial; conferir maior visibilidade das competências existentes em Portugal neste setor; apoiar a integração de PME nacionais nas cadeias de fornecimento internacionais, assim como endogeneizar boas práticas de outros setores industriais e exogeneizar os serviços e tecnologias dos seus associados.

Como fazem a gestão dos vossos talentos?
O capital humano é  uma variável crítica para o desenvolvimento deste setor em Portugal. Este é um setor essencialmente industrial, portanto com um potencial interesse de geração de emprego, bastante exigente do ponto de vista técnico e também  no que diz respeito a soft skills como o trabalho em equipa, a resolução de problemas  ou a gestão do tempo. Por isso, é habitual exigir aos homens e mulheres que entram neste setor cursos de formação ou/e cursos superiores adequados, assim como um estágio profissional. Existe em Portugal uma infra-estrutura notável,  ao nível da academia e do IEFP, para preparar estas pessoas, permitindo taxas de empregabilidade muito acima da média. Apesar de tudo isto, não é muito fácil encontrar candidatos para os cursos de formação profissional. Do lado da academia a situação é inversa, ou seja temos os cursos de engenharia aeronáutica e aeroespacial com enorme procura e médias de acesso altíssimas. A PEMAS tem estado a trabalhar com alguns dos seus associados num levantamento da oferta e procura de competências neste sector, ao nível nacional. Este estudo vai ajudar os nossos associados a planear e gerir o desenvolvimento do seu capital humano.

Na sua opinião, qual tem sido o grande desafio da indústria aeronáutica?
Em termos globais, o grande desafio deste setor é o de dar resposta à enorme e inédita procura mundial por aviões comerciais de passageiros. Os principais construtores mundiais têm, hoje para os seus best-sellers, cadernos de encomendas que vão levar 10 a 12 anos a ser respondidos.  Por exemplo, o caderno de encomendas da Boeing será equivalente a 4 vezes o PIB português. E a Airbus não estará numa situação muito diferente. Em Portugal, o grande desafio é o de recuperar a longa ausência nesta fileira industrial. Apesar de termos um longo historial quer no transporte aéreo quer na área de manutenção e reparação de aeronaves, a industria aeronáutica propriamente dita esteve durante décadas arredada das cadeias industriais. Portugal não fez parte  do conjunto de países que fundaram a Airbus, no inicio dos anos 70 e dessa forma perdeu uma oportunidade de ouro de integrar e influenciar o enorme desenvolvimento que este setor teve na Europa. Hoje em dia beneficiamos de uma forte procura, que facilita a entrada das nossas empresas nas fileiras industriais, mas temos a concorrer com clusters aeronáuticos europeus, muito mais experientes e com economias de escala que lhes dão uma vantagem significativa.

O que tem contribuído para que este setor seja uma eleição nos países mais desenvolvidos?
O avião foi uma das gloriosas invenções do início do séc.XX, protagonizada pelos países que na altura eram mais pujantes quer em termos de capital humano, capital económico e com um quadro legal amigo da inovação e do risco. Depois transformou-se num fator de potência militar e finalmente de potência económica. É portanto natural que uma parte significativa desta indústria ainda esteja nesses países. Mas a situação tem evoluído, sendo o Brasil um bom exemplo dessa evolução. O brasileiro Santos Dumont foi um dos génios que inventou o avião, tal como o conhecemos hoje, mas fê-lo em França, com um impacto residual no seu país. Muitos anos depois, foi criada a EMBRAER, empresa que fez um percurso notável, que lhe permitiu chegar à invejável posição de terceiro maior construtor de aviões civis do mundo.

O que podemos esperar para os próximos anos deste setor e da próxima PEMAS?
Da indústria aeronáutica portuguesa podemos esperar mais volume de negócios, mais exportações, mais valor acrescentado e mais empregos. Da PEMAS, muito dinamismo na prossecução dos interesses dos seus associados, e mais integração com as associações congéneres das áreas da Defesa e do Espaço.

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Gonçalo Amorim

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