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Sabe qual é a prioridade para os diretores de recursos humanos em Portugal?

Quase metade (48%) dos Diretores de Recursos Humanos inquiridos no Barómetro Kaizen/RHmagazine de Recursos Humanos acredita que o grande desafio da Indústria 4.0 em Portugal será converter colaboradores habituados a tarefas mais repetitivas em colaboradores mais orientados a resolução de problemas. Outras preocupações são “Criar um equilíbrio/convivência entre homem e tecnologia”, apontada por 18% dos inquiridos e “Garantir capacidade financeira para adquirir tecnologia” (15%).

António Costa, Senior Partner do Kaizen Institute Western Europe, comenta: O tema da Indústria 4.0 está na ordem do dia. Ouvimos no Web Summit Ben Goertzel, cientista-chefe da empresa Hanson Robotics, afirmar que com a inteligência artificial os robôs serão capazes de fazer qualquer trabalho humano. Simultaneamente, um estudo do World Economic Forum estima que a automação irá destruir mais de cinco milhões de empregos até 2020 e que 80% dos empregos de hoje não vão existir no futuro. Nesta conjuntura, e segundo os resultados do Barómetro, a grande preocupação dos gestores é preparar os seus colaboradores para esta nova realidade, passando do paradigma de realizar tarefas para resolver problemas. Isto significa que as empresas portuguesas terão que se preparar fazendo um enorme trabalho em melhoria contínua dos seus colaboradores, reforçando comportamentos de resolução de problemas.”

Pedro Ramos, Administrador Executivo da GROUNDFORCE Portugal, continua: “Isto implica o reforço no realinhamento de toda a estratégia e ações da Gestão das Pessoas nas nossas organizações. As nossas pessoas terão de estar mais preparadas para ciclos mais rápidos de aprendizagem e alavancagem das suas aprendizagens anteriores dado que o “valor do colaborador” não estará assente no que “ele sabe no momento, mas na velocidade a que pode aprender e na rapidez com que poderá otimizar essas novas e anteriores aprendizagens nos próprios contextos de trabalho. Novos desafios se colocam, portanto, aos gestores das empresas que passam por dotar as suas pessoas de ferramentas e métodos para investigar e explorar, analisar, sintetizar e interpretar as novas realidades numa lógica integrada de ‘design thinking’.”

Relativamente à valorização de trabalhadores com mais de 50 anos, a solução apontada por metade dos gestores questionados é o seu reposicionamento na empresa no sentido de valorizar o conhecimento adquirido. Outras soluções passam pela criação de uma bolsa de mentores especializada por setores de atividade (22%) e a alocação a funções de formação dos colaboradores mais jovens (18%).

Sobre este ponto, Rui Nascimento Alves, Diretor de Recursos Humanos da Johnson & Johnson Supply Chain EMEA & Asia, salienta: “Com uma força de trabalho a envelhecer, em particular a inativa, Portugal depara-se com um número crescente de profissionais demasiado novos para se reformarem e demasiado velhos para continuarem a competir pelas melhores oportunidades no mercado de trabalho. As empresas entendem que reposicionar esses profissionais internamente, por forma a se valorizar o seu conhecimento; e criarem-se bolsas de mentores por sector de atividade, são as melhores medidas para valorizar os trabalhadores com mais de 50 anos. Os maiores problemas estão nos extremos: uma sociedade e empresas que não aproveitam a força de trabalho jovem e qualificada, grande parte em fuga; e os mais velhos (é-se “mais velho”, com 50 anos?), que continuam a querer muito, mas poucos os querem, e já não podem fugir.”

No que diz respeito ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal, segundo a grande maioria dos Diretores de Recursos Humanos (83%), este poderia ser atingido caso as empresas oferecessem uma maior flexibilidade no horário de trabalho. Outras iniciativas possíveis seriam a promoção do teletrabalho (63%); incentivos à natalidade (30%) e o cumprimento rigoroso do horário de trabalho (28%).

Outra das conclusões deste Barómetro é que o limite de número de renovações de contratos em trabalho temporário deverá aumentar a precariedade laboral. Pelo menos isto é o que afirmam 42% dos inquiridos. Um em cada quatro gestores (28%) considera que esta medida deverá aumentar o custo de contratação de temporários e um em cada cinco acha que aumentará o quadro de efetivos e respetivos custos.

O índice de motivação dos trabalhadores nacionais sofreu uma descida desde o último semestre, passando de 12,5 para 12,3 (numa escala de 0 a 20). Embora ligeira, esta descida vem contrariar uma tendência de subida continuada que já se verificava desde o início de 2014, altura em que este índice registava 11,7.

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O Barómetro Kaizen de Recursos Humanos, realizado em parceria com a RH Magazine, tem como objetivo reunir informação na área da gestão dos recursos humanos, auscultando, numa base semestral, mais de 80 diretores de RH de empresas públicas e privadas de setores como a banca, indústria, saúde, logística e retalho e serviços. Realiza-se desde Fevereiro de 2014, é constituído por uma pergunta fixa, que pretende aferir o nível de motivação dos colaboradores, e por outras perguntas que variam, de acordo com a atualidade, pretendendo reunir informação para melhor compreender, aferir e perspetivar temáticas de recursos humanos de importância primordial para a gestão das organizações.

 

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