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Rita Baptista, Diretora RH, Ageas Portugal – “Cada vez mais a evolução é mais rápida e as exigências mais elevadas”

Pode contar-nos o que faz a sua empresa e as suas principais características ao nível de RH?
A Ageas é um grupo segurador internacional, sediado em Bruxelas, com 190 anos de experiência e de conhecimento. Presente em 16 países da Europa e da Ásia, a empresa propõe soluções Vida e Não Vida a milhões de Clientes individuais e empresariais. A Ageas ajuda os seus clientes a gerir, antecipar e proteger-se contra os riscos através de um conjunto alargado de produtos desenhados para responder às suas necessidades, presentes e futuras.
Reconhecida pela sua forte experiência em matéria de parcerias, a Ageas desenvolveu acordos de longa duração com instituições financeiras e distribuidores locais de referência pelo mundo inteiro, de forma a garantir proximidade com os seus clientes. A Ageas é um dos maiores grupos seguradores europeus, é líder na Bélgica e encontra-se entre os principais players na maioria dos países em que está presente. Tem mais de 40.000 colaboradores (incluindo parcerias não consolidadas) a nível mundial. Está presente em Portugal desde 2005, e opera hoje através das marcas Médis, Ocidental, Ageas Seguros e Direct – Seguro Directo. A Ageas é em Portugal o 2.º player segurador.

Quantos colaboradores tem e o que prevê para os próximos anos?
Atualmente o Grupo Ageas em Portugal tem 1256 colaboradores, no total das várias empresas. Sendo que queremos garantir, em primeiro lugar, o desenvolvimento das competências necessárias para os desafios do mercado segurador, e posteriormente fazer progredir a organização ao ritmo da evolução do negócio.

Sentem alguma dificuldade no recrutamento? Em que funções especificamente?
Mais do que procurar competências técnicas queremos em primeiro lugar perfis que façam o “fit” com a nossa cultura e com os nossos valores. Por vezes deparamo-nos com algumas dificuldades de recrutamento nomeadamente no que diz respeito a áreas mais técnicas, perfis analíticos e perfis com foco em inovação e no digital. Por isso nos últimos anos temos vindo a desenvolver parcerias, programas de estágios com algumas Universidades e academias para que possamos seleccionar os melhores, e atrair candidatos para uma empresa inovadora dentro de um sector com uma imagem mais conservadora.

Quais são os principais desafios para o departamento de recursos humanos nos próximos anos?
Com a expansão do Grupo em Portugal nos nossos próximos anos iremos deparar-nos com desafios como:
• Desenvolver e consolidar uma cultura única alinhada com os nossos valores e com aquilo a que chamamos internamente uma cultura “One Ageas Portugal”. • Reter e desenvolver perfis críticos e talentos para o desenvolvimento do negócio com competências como empreendedorismo, inovação, data analytics e digital.
• Atrair novos talentos para a organização para enfrentar os novos desafios
• Adaptarmo-nos a novas formas de trabalhar indo ao encontro das necessidade e expectativas de varias gerações, com enfoque nas novas gerações Milllenials.
• Programas desenvolvimento para actuais e futuros gestores consolidando competências de liderança na organização
• Consolidar uma proposta de valor diferente e inovadora que proporcione o desenvolvimento pessoal e profissional dos nossos actuais e futuros colaboradores.

Qual a vossa estratégia a nível de desenvolvimento dos recursos humanos? Que tipo de instrumentos/processos utilizam?
A nossa estratégia de recursos humanos passa por atrair, desenvolver, reter, reconhecer e compensar, e suportar o negócio e as pessoas sendo um parceiro próximo e estratégico. Temos como visão ser um empregador de excelência e preferencial desenvolvendo uma organização de excelência focada em resultados, alinhada com os valores e cultura da empresa, através dum distinto ambiente de trabalho e de ferramentas ágeis e eficientes onde os colaboradores se sintam identificados.

A digitalização é a palavra da moda. Já iniciaram esse processo na empresa e mais especificamente nos recursos humanos?
Efetivamente a digitalização é uma palavra em voga mas essencial para o ir ao encontro e acompanhar a evolução das necessidades dos colaboradores e dos clientes. Estamos efectivamente a caminhar nesse sentido em varias áreas, e na área de recursos humanos no ano de 2016 iniciamos efectivamente a implementação de novos sistemas para tornar todos os processos de recursos humanos mais digitais e ágeis, por forma a prestarmos um serviço de valor acrescentado aos nossos colaboradores. Desde a área mais administrativa até a área de desenvolvimento investimos na digitalização, com um portal de RH integrado, para que o colaborador possa aceder a toda a sua informação pessoal, fazer a gestão do seu processo, da sua avaliação de desempenho, do seu plano de carreira e até uma academia digital que suporta o desenvolvimento de todos os nossos colaboradores.

Quais são para si as qualidades a ter para ser um bom profissional de RH?
Em primeiro lugar ter respeito pelos outros, ser bom ouvinte, pragmático, orientado para soluções, ser próximo e ter paixão pelo que faz. Acho que são características essenciais. Para ser um pilar estratégico do negócio e da organização, é importante que esteja próximo do negocio, perceba as necessidades e as expectativas do negocio e das pessoas, e esteja focado em soluções pragmáticas de valor acrescentado. Não existe uma fórmula mágica, mas se cada vez mais os recursos humanos são, ou devem ser, um pilar estratégico é importante: uma forte visão estratégica, credibilidade, ter a capacidade de lidar com ambiguidades, ser um agente de mudança, capacidade para gerir o desenvolvimento do capital humano, proximidade e ter uma visão integrada dos recursos humanos por forma a apoiar as mudanças organizacionais e a evolução do negocio e das pessoas.

Quais são os desafios atuais da profissão na sua opinião?
Cada vez mais a evolução é mais rápida e as exigências mais elevadas. A gestão de recursos humanos tem de estar preparada para acompanhar, e tem de ter a flexibilidade de se adaptar à realidade e às exigências das novas gerações, bem como ir ao encontro das expectativas das gerações actuais. Hoje deparamo-nos com desafios como: maior longevidade e transversalidade de carreira, digitalização, literacia digital, e um mundo globalmente mais conectado (networking) que leva a uma maior exigência do desenvolvimento de novos perfis e novas competências necessárias para trabalhar em novos ambientes de trabalho, actuais e futuros, marcados pela cooperação e conectividade entre equipas, perfis e departamentos. Tudo isto, leva-nos a ter estratégias que permitam a uma maior adaptabilidade na gestão de formas de trabalho mais flexível, mais autónoma, em rede, deslocalizada, permitindo aos colaboradores desenvolver as competências para que a qualquer momento possam mudar a trajectória da sua carreira dependendo das suas motivações ou das necessidades das organizações.

Entrevista in RHmagazine, n.º 110, Maio/Junho 2017

 

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